Com a falta de diálogo do governo do Distrito Federal, 600 famílias do MST bloquearam a BR-020, que liga Brasília a Bahia, às 6h desta quarta-feira (31/01), para pedir audiência sobre a arrecadação da fazenda devoluta Toca da Raposa, em Planaltina, no Distrito Federal (a 30 km do Plano Piloto).
Como parte das terras são devolutas, pertencem ao poder público e estão sendo usadas ilegalmente pelo grileiro Mario Zinatto, devem ser retomadas e destinadas à Reforma Agrária. A outra parte pertence ao órgão que gerencia as terras públicas do estado.
O governador do Estado, José Roberto Arruda (PFL), e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que deram retorno ao pedido de audiência das famílias do MST. "As famílias não tinham outra alternativa. A rodovia está fechada e não tem hora para ser liberada”, disse Lucinéa Medeiros, integrante do MST.
A propriedade tem 1.200 hectares e fica às margens da rodovia fechada. É a terceira ocupação de trabalhadores rurais na fazenda nos últimos três anos. “É um enorme latifúndio para os padrões da região”, disse o integrante do MST, Flávio Silva.
O latifundiário tentou comprovar a posse de parte da fazenda, mas a documentação apresentada foi considerada inválida pelos institutos responsáveis pelo levantamento da documentação. Há mais de dois anos cerca de 80 famílias estão acampadas em frente à fazenda nas margens da rodovia.
Nos últimos três anos, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) não assentou nenhuma família do MST na região. Mais de 2.000 famílias estão acampadas no DF.
Paraná
Cerca de 500 famílias do MST ocuparam a Agropecuária Três Pontos, também conhecida como fazenda Café Piquirí, em Diamante do Oeste, na região Oeste do Paraná, para pressionar o governo federal pela aquisição da área.
Os lavradores pedem também o assentamento dos acampados no estado. Na região, as famílias estão à beira de estradas há mais de dois anos, em municípios como Matelândia, Missal e Santa Helena.
A fazenda tem 1.800 hectares e já foi oferecida ao Incra Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no ano passado pelo proprietário para que seja destina à reforma agrária.
No Paraná, há 8.000 famílias acampadas na beiras de estradas e latifúndios improdutivos na luta pelo assentamento. Durante a gestão passado do governo federal, a meta era assentar 9.000 famílias no estado, mas até agora apenas 3.000 receberam o lote.
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