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Protesto é maior no primeiro dia do aumento da passagem de ônibus
01/12/06

Por Tadeu Breda

O preço da passagem de ônibus em São Paulo subiu de R$ 2 para R$ 2,30 na manhã desta quinta-feira, 30 de novembro. Um pouco mais tarde, às 16 horas, o centro da Capital começou a assistir ao maior protesto contra o aumento de 15 por cento anunciado pela SPTrans, empresa que administra o transporte público na cidade.

Mais de mil pessoas saíram do Teatro Municipal, passaram pelas cercanias dos terminais Parque Dom Pedro 2o e Bandeira e seguiram pela Rua Líbero Badaró até a Praça da Sé. Detiveram-se um pouco em frente à Prefeitura, no Vale do Anhangabaú, onde um bloqueio da Guarda Civil Metropolitana manteve os manifestantes a uma “distância segura” enquanto hostilizavam a administração de Gilberto Kassab, responsável pelo reajuste considerado abusivo.

O protesto contou com a participação majoritária de estudantes, de diversas tendências políticas. Havia militantes de partidos de esquerda, movimentos sociais, anarquistas e punks. E o ato foi integralmente pacífico. Apenas pequenos entreveros ocorreram entre grupos isolados e policiais militares que acompanharam do começo ao fim a manifestação. Foi assim, por exemplo, no Pátio do Colégio, onde dez pessoas subiram no monumento da praça e foram retiradas imediatamente por um destacamento de PMs. De resto, a passeata correu tranqüilamente, retornando ao Teatro Municipal e se dispersando por volta das 21 horas.

A intenção dos idealizadores do protesto, no entanto, era diferente. Organizada pela Frente de Luta Contra o Aumento (FLCA), a manifestação pretendia ocupar um dos terminais da região central de São Paulo. Um membro da comissão de segurança do movimento explicou, porém, que a iniciativa foi abortada assim que as informações deram conta de que tropas da cavalaria da PM estavam posicionadas nos terminais Parque Dom Pedro 2o e Bandeira. “Isso fez com que a gente revisse nossa tática”, explica.

A FLCA evitou assim o incidente que aconteceu na última sexta-feira, 24 de novembro, quando cerca de 300 manifestantes ocuparam o Terminal Parque Dom Pedro 2o e foram duramente reprimidos pela PM, com balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de “efeito moral”. Na ocasião, o estudante Christian Santander foi espancado pelos policiais. O jovem, que cursa o quarto ano da Escola de Sociologia e Política, teve o braço direito deslocado e levou três tiros de borracha no tronco, na barriga e na coxa, além de ter ficado com as costas inteiramente marcadas por cassetetes.

Os gritos de “Vem pra rua, vem, contra o aumento” e “Amanhã vai ser maior” indicam que os protestos vão continuar. A organização da FLCA, encabeçada pelo Movimento Passe-Livre, já marcou uma outra manifestação para sexta-feira, 1.o de dezembro, “no mesmo horário, no mesmo lugar”, como disseram: às 16 horas, em frente ao Teatro Municipal.

Nesta quinta-feira os diversos movimentos que protestam contra o reajuste de 15 por cento na tarifa do transporte público paulistano completam uma semana de mobilização. Além da FLCA, a União Nacional dos Estudantes, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e a Central Única dos Trabalhadores realizaram manifestações na Rua da Consolação e na Avenida Paulista. A CUT é a única que não se posiciona exatamente contra o aumento das passagens. A central sindical propõe um reajuste de seis por cento, em vez dos 15 por cento aplicados pela Prefeitura.

Enquanto isso, o adesivo colado no pára-brisa de todos os ônibus da cidade de São Paulo confirma o aumento. Depois do corte de um terço das linhas de ônibus no primeiro semestre, a passagem – ou o “direito de ir e vir”, como diziam cartazes na manifestação – custa agora R$ 2,30.

Tadeu Breda é estudante de jornalismo.

 

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