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Editorial

POLÍCIA É CIVIL

“Uma brutalidade inaceitável”, reagiu o governador paulista, José Serra, ao saber que 6 PMs lincharam um garoto de 15 anos em Bauru. A selvageria desses maus policiais, nos últimos 2 anos e apenas em São Paulo e Rio de Janeiro, ceifou quase 3.500 vidas – números bélicos. Já escandaliza até meios conservadores – um de seus arautos, O Estado de S. Paulo clama que “o banditismo dentro da polícia precisa ser cortado pela raiz” (editorial de 12/5/2008).

De Bauru, nossos repórteres trouxeram a matéria “Assassinos Fardados à Solta”. Nela, Fermino Fechio, ouvidor nacional da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), diz: “histórica e cientificamente, polícia é uma instituição de natureza civil”. A favor da desmilitarização da polícia, Fechio aponta que em vários Estados a PM tem o mesmo regulamento disciplinar do exército.

Mais que isso, podemos dizer: como a ideologia é militar, há que existir inimigos; e como não estamos em guerra, aqui mesmo está o inimigo, um inimigo difuso, que acaba se confundindo com o povo – o pobre, o negro, os desvalidos, os sem-voz. No Rio, a matança já era tal no meio da década passada, que um general golpista de 64, Carlos Alberto da Fontoura, dizia na época que tinha “mais medo da polícia do que do ladrão”. Com certeza referia-se à PM, aliás resquício da ditadura. Para o bem geral, entre as reformas de que o país precisa, urge mais esta: a desmilitarização da polícia.

Outro repórter acompanhou as peripécias de uma “mula” que foi buscar drogas no Paraguai, enquanto um quarto explica como funciona a guilhotina que decepa dedos no carro Fox – assunto do qual a mídia grande fugiu.

No Rio, ouvimos Ney Matogrosso, maravilhoso no palco, gentil na entrevista: abriu-nos a alma. Um deleite mesmo para os que não se consideram seus fãs.

Um viva para Roberto Freire, jornalista, escritor, que se foi a 23 de maio aos 81 anos. Co-fundador de Caros Amigos, honrou-nos com sua sabedoria até 1998, quando se afastou por divergências ideológicas com Sérgio de Souza.

Sumário

Aqui você vai encontrar algumas matérias disponíveis para leitura. A edição 135 já está nas bancas.

MARILENE FELINTO analisa a popularidade de Lula.

FERRÉZ ouve o som do silêncio. (baixe o PDF ao lado)

RENATO POMPEU teoriza sobre o futebol. (baixe o PDF ao lado)

ANA MIRANDA conta o drama de uma vida interrompida.

MYLTON SEVERIANO, ENFERMARIA.

FIDEL CASTRO discute a reintrodução da 4.a Frota dos EUA nos mares da América Latina. (baixe o PDF ao lado)

JOSÉ ARBEX JR. entrevista a economista LEDA PAULANI, sobre os impasses do governo Lula.

PALMÉRIO DÓRIA, PICADINHAS.

FREI BETTO pergunta se há futuro no capitalismo.

GUILHERME SCALZILLI constata a mediocridade da produção cultural das grandes corporações.

GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS defende a postura de “mistura sem mistura” de DARCY RIBEIRO para a questão indígena.

ULISSES TAVARES diz que o problema não é o travestismo, é a hipocrisia.

MARCOS BAGNO, FALAR BRASILEIRO.

GERSHON KNISPEL homenageia Artur da Távola.

JOÃO PEDRO STEDILE debate o preço dos alimentos.

EDUARDO MATARAZZO SUPLICY apela para que o STF não extradite o perseguido político italiano CESARE BATTISTI.

RENATO POMPEU, MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA NÃO-INVESTIGATIVO.

GEORGES BOURDOUKAN desmascara mitos israelenses.

JOEL RUFINO DOS SANTOS, AMIGOS DE PAPEL.

EMIR SADER defende o caráter público da propriedade intelectual.

HAMILTON OCTAVIO DE SOUZA, ENTRELINHAS.

CESAR CARDOSO alardeia o seu vício.


Foto de capa: ISMAR INGBER
Arte do site: MARIANA NÓBREGA

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