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Nicolelis “Denso e Mágico”
Sou assinante há vários anos dessa instigante revista. Pela primeira vez faço um comentário. Parabenizo com muita alegria a entrevista realizada com o cientista Miguel Nicolelis. Por vários motivos: revelar-nos a existência de brasileiros brilhantes no campo das ciências, mostrar o compromisso social de parte destes cientistas, expor publicamente o investimento em ciência pelo suposto “presidente-matuto” e pela importância da pesquisa científica que poderá devolver os movimentos aos paraplégicos e outros fisicamente debilitados em futuro breve. Mas, sobretudo, relato minha imensa emoção na manhã em que li a entrevista desse apaixonado palmeirense (eu, corinthiano fiel!) ao descrever com rara beleza, o gol de Pelé contra a Itália, no México em 1970 (que eu me lembro muito bem!), para explicar sua teoria sobre o cérebro se libertar do corpo para controlar à distância um membro artifical. Como um garoto de 9 anos pode registrar algo que, na vida adulta, viria fundamentar sua teoria científica, e nos ajudar a compreender as imensas potencialidades do cérebro para criar?! Ri muito e chorei de emoção! Que imensa satisfação! Pessoas como Nicolelis nos fazem sentir mais orgulhosos de ser brasileiros, e de acreditar que nossa gente “carrega boas esperanças”. Essa edição da Caros Amigos contribuiu para mostrar que o Brasil tem jeito! Isso é jornalismo sério e decente sem enveredar para o patriotismo acrítico!
Gilberto Neves, professor, Uberlândia, MG

Maravilhosa entrevista! Fiquei tão envolvido que me emocionei também, e parte de mim se realiza nesse belo trabalho. Precisamos de gente assim, sensível, inteligente, com uma cultura mais ampla, e com a grandiosa coragem de despertar o novo em nossa “pobre” gente, massacrada pela cultura da ignorância. Para ficar perfeito, só faltava ser Santista!
Amarildo Gallo, Teresópolis, RJ


Parabéns pela volta dos grandes entrevistados à capa, casos do neurocientista Miguel Nicolelis e do agora “amigo” Marcos Bagno.
Rafael Brandimarti, rafapack@yahoo.com.br


Parabéns pela excelente “entrevista densa e mágica” com o neurocientista Miguel Nicolelis, sobre o Projeto Natal! Felizmente, a entrevista não foi densa graças à inteligência nas perguntas, mas foi mágica pela dignidade humana do cientista e sua crença no potencial do Brasil. Com o seu trabalho ele mostra que não é preciso
estar nos grandes centros mundiais para produzir conhecimento de primeira grandeza, além de contribuir para o desenvolvimento intelectual da região e engrandecer o nome do seu país. A entrevista certamente foi emocionante, por fazer rir e chorar, pela crença inteligente e pelo serviço ao orgulho de ser brasileiro.
Willian Coelho Oliveira, wconet@hotmail.com


A sujeira é o pobre
Gostaria de parabenizar o João de Barros pela excelente qualidade do texto exposto. Fiquei imaginando como resguardar o princípio de dignidade da pessoa humana, presente no art. 1º, inciso III, da Constituição Brasileira, com a discrepância que há entre um ‘cheque despejo’ no valor de 5.000 reais, um barraco de 15 metros quadrados, com uma apê de 1.700 metros quadrados no valor de 18 milhões de reais. Como avaliar esta diferença e garantir os direitos constitucionais? Fica ai exposta minha indignação com esta situação de despejo dos pobres para ‘limpar a sujeira’ que tem acontecido em várias cidades brasileiras, e com maior intensidade na cidade de São Paulo.
Luciana Lara, lucianalarasl@gmail.com


Trabalho numa Prefeitura da Região Metropolitana de Curitiba e o único programa de habitação oferecido à população pobre da cidade é justamente o “cheque-despejo”... Triste, mas é verdade... E acontece exatamente aquilo narrado pelo João de Barros: os valores são baixos, insuficientes pra comprar uma moradia regularizada, o que leva a família despejada a ir ocupar outro terreno... e aquele imóvel da qual ela foi despejada pela Prefeitura, na certa será ocupado por outra família sem moradia... e assim vai... A Prefeitura gasta com o “vale-despejo” e não resolve o problema de moradia dessas famílias, o que, aliás, é sua obrigação constitucional. Também sou militante do Despejo Zero, um coletivo de luta pela moradia em Curitiba e Região Metropolitana, e faremos um “Encontro com Organizações Populares” (panfleto anexo) no Dia 14 de Junho, para discutir a cidade e a moradia. Convidamos e teremos a participação de moradores da Real Parque, que narrarão sua experiência de mobilização.
Aline Prá Claudino, alinepraclaudino@uol.com.br


A imprensa não ouviu o outro lado
Compartilho as palavras de Marcos Zibordi em “A Imprensa Não Ouviu o Outro Lado”. Pior que todos esses lapsos jornalísticos é não levar em consideração todos os casos semelhantes em que crianças são agredidas, torturadas, mortas ou não, pelos pais todos os dias no país. Vez ou outra uma notinha e sem suíte.
Luciene Correia, lucienecor@uol.com.br


Renato Pompeu
Quando leio sua coluna Memórias de um Jornalista Não-investigativo vejo que o que viveu nas redações, principalmente na Veja, não mudou em nada. Quando eu fazia assessoria de imprensa para uma ong, uma jornalista da editoria de saúde da revista Veja me contatou e queria falar sobre dislexia. Passei o contato de uma profissional e a mesma, ainda, solicitou uma criança com dislexia. Antes de desligar o telefone ela disse: “Olha, tem um porém, a criança disléxica precisa ser branca e bonita.” Aí lhe perguntei: “E um negro bonito não pode?” Ela disse: “Mas na editoria saúde quando queremos falar de coisas boas meu editor pede esse perfil de personagem.”
Márcio Zonta, mzontat@hotmail.com


Desabafo
Antonio Evilásio Muniz Félix. Esse é o nome de um dos quatro “traficantes” mortos na favela Manadela 2, em Manguinhos, na tarde da sexta-feira, dia 2/5/2008. Essas aspas fazem-se necessárias para denunciar esse fascismo da grande mídia e principalmente de nossas corporações militares, especialmente a polícia militar,
que julga como traficantes todos os mortos em confrontos entre policiais e facções, e que diariamente nos mostra que nosso passado, de repressão, torturas, assassinatos e violação dos direitos fundamentais, não é tão passado assim. Antonio, ou Toinho como minha mãe costumava chamá-lo, era meu primo, tinha 37 anos e era pintor de carros. Morador da favela onde ocorreu mais esta barbárie. Voltava da casa da namorada quando foi atingido por um tiro na perna. Caído na linha férrea, colocou-se entre os trilhos para não ser atropelado pelo trem que vinha. Passado o trem,quando tentava levantar-se, foi morto, fuzilado por policiais covardes que se mantêm no anonimato de seus capuzes, dentro dessa nefasta máquina de exterminar pobre que chamam de Caveirão. Esse mesmo Caveirão, estrela de cinema, que é o único braço do Estado conhecido nas favelas. De acordo com o comandante do 22º BPM (Maré), tenente-coronel Luigi Gatto, todos os quatro mortos estavam armados, mas com meu primo Antonio só foi encontrada uma lista de compras de material de pintura. Até quando a nossa polícia, e escrevo nossa para ressaltar a sua função pública de proteção da população que essa força de segurança deveria exercer, irá aplicar a analogia de que como no escuro todo gato é pardo, logo na favela todo pobre é traficante! Até quando a polícia vai abusar do “auto de resistência” para assassinar impunemente qualquer cidadão que tem o azar de ser apenas mais uma vítima do neoliberalismo excludente, da favelização, da espoliação estatal, da castração cultural e intelectual que vem sendo administrada há décadas na América Latina. Até quando as lágrimas serão a única conseqüência da morte de inocentes, que além de ter suas vidas interrompidasà bala, são enterrados como criminosos. E até quando cada brasileiro conseguirá agüentar o peso sufocante da esperança.
Jardel Muniz, 24 anos, jardelmuniz@gmail.com


Frei Betto
Os textos de sua autoria são os meus preferidos. Na edição de março de 2008 – Corpos e Mentes – discordaria de que a sujeição do corpo estaria em processo de apropriação, tendo em vista as várias formas de escravidão ainda existentes. Em cima de tal reflexão, aproveito para comentar, muito sinteticamente, uma situação vivenciada em instituição católica, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde passei por experiências, cujos procedimentos muito se assemelharam àqueles dos tribunais da Santa Inquisição (veja-se o processo Galileu), holocausto, ditaduras. Nenhum esforço de minha parte permitiu-me defesa junto às autoridades leigas e religiosas da instituição, quanto às irregularidades estatuárias, cometidas pelos grupos fortes politicamente: a Igreja ou se manteve em silêncio frente aos meus apelos ou alegou não poder intervir, mesmo tendo como suporte o Estatuto, a Campanha de Fraternidade e a mensagem de Páscoa: “Jesus teria morrido para desnudar a injustiça e desmascarar as autoridades que governam em causa própria.” Toda desmoralização quanto à minha pessoa foi feita por meio da mídia, imprensa e Internet. A cada insistência por diálogo era punida, até que, para fechar a boca, impedir a expressão de meus pensamentos, fui demitida, ou seja, sujeição de corpo e da mente, em pleno século 21. Isso com 45 anos de PUC-SP! Quanto ao texto de abril de 2008, cujo título é belíssimo – O nome político do amor-socialismo. Estive em Cuba e voltei bastante confusa: os pedintes, a corrupção, a prostituição, a alimentação, as moradias, o atendimento médico, a educação com algumas restrições, ao lado de situações gratificantes: ausência de crianças nas ruas, teatro para todos, por exemplo. Mas a gente continua sonhando com o Socialismo!
Anna Maria Garzoni, São Paulo, SP


João Pedro Stedile

Enquanto a grande massa admira um Bial que heroifica BBBs alienados, poucos lêem um João Pedro Stedile que, ao final de um alerta, pergunta: “E vocês, leitores, dizem o quê?” Eis um tapa na cara e grito de “Acorda!” aos absortos pela falácia de uma mídia que nunca os põe pra pensar, apresentando tudo mastigado e digerido à sua maneira. Leia-se, interesse.
Tuany Silva Andrade, Vitória da Conquista, BA


Movimento

Nos esclarecimentos do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira sobre a história dos semanários Opinião e Movimento, publicados na última edição da Caros Amigos, consta uma informação equivocada: a foto em que aparecemos Perseu Abramo e eu foi tirada na 2ª Convenção Nacional do semanário Movimento, realizada em 19 e 20 de julho de 1980, com o objetivo de relançar a publicação com uma orientação atualizada e uma nova direção, coletiva. Quando a publicação encerrou suas atividades no final de 1981, eu já havia me afastado por discordar da direção personalizada que se insistia em aplicar no semanário.
Duarte Pereira, São Paulo, SP



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