DOIS JEITOS DE TRATAR OS POBRES.
Na maior cidade do hemisfério sul, desenrola-se uma política perversa que o eufemismo oficialista classifica de “revitalização do centro”.
Consiste em identificar locais habitados pela pobreza no chamado centro “expandido”, em cortiços, favelas, ocupações, loteamentos “irregulares”. E, então, promover a “limpeza social”, mediante ações disfarçadas em legalidade ou simplesmente truculentas, empurrando os pobres cada vez mais para os confins da metrópole, onde se repetirá o ciclo – loteamento irregular, ocupação à beira de mananciais, de encostas, até nova expulsão.
Não tem ocorrido ao atual “establishment” municipal revitalizar o centro de São Paulo revitalizando os pobres, dando-lhes a chance de ascender a melhores condições de vida
e de permanecer onde estão. Eis o tema de nossa reportagem principal.
No extremo oposto desse tipo de atitude diante de nossos semelhantes, vamos encontrar a ação do principal entrevistado do mês, o neurocientista Miguel Nicolelis, autor de recente proeza que aturdiu o mundo: mostrou que a “força do pensamento” pode mover um robô no outro lado do mundo. Ele escolheu justo a região mais pobre do país, o Nordeste, para cravar o primeiro instituto de ciências com o qual pretende iniciar uma rede que atenderá mais de 1 milhão de crianças.
Fanático pelo Palmeiras, por futebol e pelo Brasil, demonstra
a simplicidade dos verdadeiros gênios. Também não registramos memória, em nossa redação, de
um entrevistado ou entrevistada que tenha se emocionado a ponto de chorar – o que aconteceu quando ele falou dos brasis que estão acontecendo e ninguém dá
notícia, ou das crianças que seu instituto acolhe e só precisam de carinho e atenção para despontar, sem medo de fazer perguntas, a montar robôs, a olhar no
telescópio, a medir a lua de Júpiter.
A ciência, avisa Nicolelis, é uma questão de soberania nacional. Promove transformação social.
Estamos desde fevereiro sem a seção De Repente, do nosso Nicodemus Pessoa, que se encontra em tratamento de saúde e a quem desejamos pronto restabelecimento.
Aqui você vai encontrar algumas matérias disponíveis para leitura. A edição 134 já está nas bancas.
MARILENE FELINTO critica a publicidade de cerveja.
ANA MIRANDA homenageia APARECIDA SANTILLI.
GLAUCO MATTOSO, PORCA MISÉRIA.
MYLTON SEVERIANO, ENFERMARIA.
FERRÉZ filosofa sobre o ter.
ULISSES TAVARES comenta a situação no Tibete.
O repórter Marcos Zibordi revela um assalto ignorado pela mídia,
ocorrido a poucos metros dos jornalistas que cobriam o caso
da menina Isabella Nardoni.
JOSÉ ARBEX JR. entrevista o professor VITO ANTÔNIO LETIZIA, sobre as perspectivas da esquerda na América Latina.
PALMÉRIO DÓRIA, PICADINHAS.
ROBERTO MANERA relembra o dia em que a Editora Abril se transformou no que é hoje.
GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS conclama os favelados e os sem-terra a se unirem.
FIDEL CASTRO nega que os males de Cuba advenham todos do “período especial”.
FREI BETTO exige a educação para a cidadania.
RENATO POMPEU divulga um questionário espanhol a jovens heterossexuais.
JOEL RUFINO DOS SANTOS, AMIGOS DE PAPEL.
EMIR SADER relembra 1968.
O repórter João de Barros narra a guerra suja das autoridades de São Paulo contra os pobres da cidade.
A entrevista densa e mágica é com o neurocientista Miguel Nicolelis.
CESAR CARDOSO faz o elogio da ignorância.
MARCELO SALLES constata que o mosquito da dengue foi “politizado”.
JOSÉ ARBEX JR. discute o novo Paraguai que surgiu das eleições presidenciais.
JOÃO PEDRO STEDILE examina a campanha da mídia grande contra
os quilombolas e contra o MST.
EDUARDO MATARAZZO SUPLICY exalta RITA LEE.
HAMILTON OCTAVIO DE SOUZA, ENTRELINHAS.
GUILHERME SCALZILLI avalia o descalabro tucano em São Paulo.
MARCOS BAGNO, FALAR BRASILEIRO.
GERSHON KNISPEL prova, para quem duvida, que o povo palestino existe.
GEORGES BOURDOUKAN defende que não existe um “problema palestino”, e sim um “problema israelense”.
RENATO POMPEU, MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA NÃO-INVESTIGATIVO.
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Foto de capa: EDUARDO ZAPPIA
Arte do site: MARIANA NÓBREGA