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Adeus, Zumblick, vento terral

por Paulo Ramos Derengoski

O catarinense Willy Zumblick foi um dos pintores mais produtivos do mundo, com mais de cinco mil quadros!

Sem nunca ter freqüentado Academias ou panelinhas intelectuais, foi um autodidata, sem ter sido “naif” ou “primitivista”. Figurativo sim, mestre da figura humana, de cenas populares: Festa do Divino, Guerra do Contestado, República Juliana, Giuseppe e nossa Anita Garibaldi. Até casario popular, preparação de comidas típicas dos imigrantes, Santos e Santarrões.

Como escreveu o Governador Luiz Henrique, nosso grande acontecimento histórico que foi o transporte por terra dos barcos Seival e Farroupilha lá está, retratado com maestria por Zumblick na Sala de Despachos da Casa da Agronômica, eternizando uma ação terra-mar única do mundo.

Gigante das cores, impressionou o meio cultural do Rio de Janeiro, ao expor 60 quadros na sede da ABI em 1946, o que lhe valeu a admiração de Portinari, Cavalheiro e Pancetti.

Tipo humano afável, com precisão do relojoeiro que foi, conseguiu transformar o erudito em simples, sem convencionalismos ou sofisticações da crítica afastada das massas. Pintava alegorias e alegrias. Com o toque do gênio, foi versátil e produtivo, dono de um estilo leve e vigoroso, criando um universo próprio e inconfundível. Pintava só o que o emocionava, como no clássico “O Último Guerreiro Carijó”, mostrando a figura valente do Cacique Caiobig, o resistente descrito no poema de Seixas Netto. Mas talvez um de seus quadros mais marcantes seja “A Menina Enferma”, hoje no Rotary Club de Illinois, USA.

Seu estilo é vivo, contrastante, parecendo emitir vibrações, tonais, querendo saltar das telas, como o movimento tal ondas do mar. Foi um artista de grande significação social – e esses são os maiores – pois eternos, retratando o passado e o presente, como se escrevesse com os pincéis. Era de certa forma expressionista pelo sentido imediato de descrição de cenas. Mas onde a imaginação não ultrapassava os limites do verossímil.

Agora se foi para sempre, pintar os Estúdios Celestiais. Grande Zumblick. Catarina de raiz. Como disse J.G. de Araújo Jorge: “Fora dos grandes centros, Zumblick comungava com a Terra...”.

Paulo Ramos Derengoski é jornalista e autor de vários livros, dentre eles: Viagens de um Repórter: um Barriga-Verde na Terra Azul.

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