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por Walter Takemoto
Em entrevista a jornais e outros meios de comunicação, como à Folha de S. Paulo e a Band News no dia 30 de abril, o Coordenador do Curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Sr. Antônio Dantas – que provavelmente deve exigir que o chamem de Professor Doutor Antônio Dantas – justificou o fato do curso de medicina da UFBA estar entre os que obtiveram os piores resultados nas avaliações do Ministério da Educação com as seguintes afirmações:
“Baixo quociente de inteligência dos baianos”.
“O baixo QI dos baianos é hereditário e verificado por
quem convive com eles”.
“O baiano toca berimbau por ter só uma corda. Se tivesse mais não
conseguiria”.
Ele, o Professor Doutor Antônio Dantas, diz ser um homem franco e que reconhece as limitações dos alunos que o cercam.
Está o referido senhor discorrendo sobre os alunos da faculdade de medicina, a mais antiga do Brasil. Esses alunos, segundo o Reitor Naomar, médico formado na UFBA, representam a elite baiana, com menos de 30% de estudantes afro-descendentes e ainda com apenas 4% de alunos egressos de escolas públicas. No curso de medicina, praticamente inexiste aluno socialmente carente.
Se a essa elite baiana o Professor Doutor Antônio Dantas classifica como quase imbecis, eu me pergunto:
– Qual a avaliação que o dito senhor faz dos quase 86%
dos moradores de Salvador que são afrodescendentes, a grande maioria
morando nos bairros periféricos da cidade e pelos quais ele nunca passou,
da mesma forma que os negros não conseguem ingressar na faculdade que
ele coordena?
–
Como será que o dito senhor se olha no espelho e se vê? Concorda
ele com parte dos moradores do sul que chamam todos os pobres e feios de baianos,
nordestinos e paraibanos? Se vê o doutô professor também
na mesma condição?
Ao ler e ouvir as palavras do Professor Doutor Antônio Dantas, que renunciou ao posto de coordenador menos de uma semana depois de fazer as declarações, fico me perguntando se ele também é dos que concordam que a universalização da educação – permitindo que os negros, os pobres, os mestiços, homossexuais, deficientes físicos, e outros que não aparentam a imagem e semelhança dos brancos, urbanos e católicos – será a derrocada da sociedade perfeita e homogênea que alguns sonham?
Estamos em 2008, quarenta anos depois das lutas estudantis que foram determinantes para a história recente da humanidade. E aí uma outra pergunta me incomoda: como se sentem os estudantes, todos da UFBA, com as declarações desse senhor? Que profissionais serão se não se manifestarem contra esse sujeito? E os professores, como se sentem na condição de acadêmicos e baianos estando ao lado desse sujeito?
É preciso que se grite todas as respostas possíveis. Não se pode calar diante de declarações como essas.
Walter Takemoto é educador, paulista de nascimento e baiano de coração.
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