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por Alexandre Branco Pereira
Faço parte do grupo de estudantes que ocupou até o dia 18 de abril a reitoria da Universidade de Brasília. Compartilho, portanto, de, senão todos, muitos dos pensamentos correntes entre os ocupantes. A demanda de ética e transparência na administração da UnB e na gestão de recursos públicos; de mais democracia dentro da comunidade universitária; de uma melhor estrutura física que dê, de fato, condições de estudo e aproveitamento acadêmico para os estudantes e conseqüente melhoria de condições de trabalho para os funcionários, sejam professores, sejam servidores; melhoria e ampliação da abrangência dos programas de assistência estudantil, entre vários outros pontos.
Não venho, entretanto, reafirmar esses aspectos já divulgados à exaustão pela grande mídia nos últimos dias. Venho apresentar outro lado de igual ou maior importância que os já citados e que emergiu, seja na UnB, seja na sociedade em geral, durante esse movimento de ocupação: a discussão e, principalmente, a participação política.
À luz da recente queda do reitor, Timothy Mulholland, do vice-reitor, Edgar Mamiya, e de toda a cúpula diretora da UnB, fica claro que o coro legalista, de que o reitor e sua cúpula administrativa só sairiam por decisão da justiça, era, de certo modo, um discurso falacioso. A ação direta promovida pelos estudantes, e que posteriormente angariou apoios de outros diversos setores da sociedade civil, foi primordial para a queda de Timothy e cia. Sendo ainda mais ousado, diria que foi a causa principal da vitória dos estudantes, levando para segundo plano as possíveis situações de bastidores. Não fosse a ousadia dos estudantes de intervir de forma decisiva, talvez estaríamos assistindo hoje nos noticiários mais um caso de impunidade e conivência para com a corrupção.
A discussão política, forma menos direta de participação, mas não menos importante, também tornou-se prática corrente dentro da Universidade. Foi notória a mudança pela qual passamos, sendo o caso Timothy e a ocupação da reitoria eleitos como tema do dia. Fossem as pessoas a favor da saída do reitor ou não, foi extremamente salutar o debate político implantado na UnB, fazendo com que os milhares de estudantes que deliberaram nas diversas assembléias realizadas não servissem como mera massa de manobra de grupos minoritários organizados.
Seria, portanto, primordial que reproduzíssemos tais costumes, que espero ajudar a perpetuar na comunidade universitária, em escala nacional. É necessário que o povo brasileiro tome consciência de seu poder e passe a participar e debater ativamente tudo que lhe compete – e o que lhe compete é tudo – para que, enfim, seguindo o exemplo dos estudantes da UnB, o povo passe a ser agente de sua própria história.
Alexandre Branco Pereira é estudante do 3º semestre de Ciências Sociais na Universidade de Brasília, 19, e coordenador nacional do Movimento Estudantil Livre.
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