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Editorial

SILÊNCIO ROMPIDO

Pode-se chamar de furo o que o nosso João de Barros traz para esta edição, a entrevista com Harry Shibata, um dos nomes simbólicos da ditadura militar que assolou o país de 1964 a 1985.
Shibata é tido como o principal avalista dos métodos utilizados pelos militares, e seus comandados, para obter confissões de “subversivos” presos (e mortos) pelo regime.
É que ele, como médico legista, diretor do Instituto Médico Legal, o IML de São Paulo, assinava laudos necroscópicos omitindo o fato de aquelas pessoas terem perdido a vida em razão de torturas ou execução sumária. Como aconteceu no episódio Vladimir Herzog, que toda a nação conhece.
Pode-se chamar de furo, porque é a primeira vez que Shibata grava uma entrevista nesses anos todos que sucederam o fim da ditadura. Tarefa tão difícil que ele, Shibata, só aceitou gravar no terceiro encontro com João, e assim mesmo exigindo da revista uma carta assumindo o compromisso de o repórter não fazer perguntas sobre suas antigas atividades no IML.
Mas dos dois primeiros encontros, nos quais Shibata não só vetou o uso de gravador como não admitiu anotações por escrito, João memorizou o que foi dito sobre aqueles tempos de horror e conta tudo, antes de transcrever a entrevista gravada, juntando um perfil do personagem, desde sua infância.
Parabéns em dobro a João de Barros, pois enquanto fazia essa matéria, recebia a notícia de ter conquistado a menção honrosa da categoria reportagem de revista do XXIX Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos concedido pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, pelo trabalho Um dia de Visita, que trata da odisséia semanal que mulheres e filhos de presos fazem para ir à Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2 de Presidente Venceslau, publicada na edição de dezembro de 2006.
No mais, e até a propósito, convidamos o leitor a ir a uma banca de jornais ou livraria e levar para casa o fascículo nº 1 da série (de 12) A Ditadura Militar no Brasil, das Coleções Caros Amigos, que acabamos de lançar.

Da Esquerda para a direita, o presidente da Comissão Justiça e Paz Da Arquidiocese De São Paulo, Antonio Malheirios, o diretor do Teatro Sérgio Cardoso, Vicente Amato Filho, Dauro Veras e Eliane Brum, também premiados e João de Barros.

foto: Sonia Melle/SJSP


Sumário

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