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ONDE VAMOS PARAR?
“Nos próximos cinqüenta anos, a inteligência artificial, a nanotecnologia, a engenharia genética e outras tecnologias permitirão aos seres humanos transcender as limitações do corpo. O ciclo da vida ultrapassará um século. Nossos sentidos e cognição serão ampliados. Ganharemos maior controle sobre nossas emoções e memória. Nossos corpos e cérebros serão envolvidos e se fundirão com o poderio computacional. Usaremos essas tecnologias para redesenhar a nós e nossos filhos em diversas formas de pós-humanidade.”
Esse texto foi escrito em 1997 por Max More, um inglês nascido em 1964, PHD em filosofia, política e economia pela Universidade de Oxford e fundador, nos Estados Unidos, onde vive hoje, do Extropy Institute, uma entidade que defende o uso da tecnologia para melhorar a saúde do homem, aumentar sua inteligência e aperfeiçoar os sistemas sociais, acenando com um “trans-humanismo” que prevê até a superação da inteligência humana pela artificial, dos computadores.
As especulações sobre o pós-humano, que vêm tomando projeção cada vez maior em determinado meio cultural desde o final do século 20, baseiam-se nos avanços e pesquisas da ciência e da tecnologia. Os seguidores das teorias de More e outros estudiosos, ou futurólogos, estão prevendo mutações chocantes para daqui a algumas poucas décadas, quando o corpo humano viria a ser, por exemplo, uma adequação de “silício e carne”. Mas, pensando que, hoje, já se pode substituir não só pernas, braços, dedos, artérias, mas órgãos mais complexos como o coração, e olhando como a tecnologia e a ciência estão alterando o modo de vida das pessoas, e como as crianças são tão diferentes das que fomos, não são de estranhar tanto as previsões sobre o pós-humano.
É disso que trata esta edição especial de Caros Amigos, contando com valiosas contribuições de estudiosos não apenas do campo científico, mas também da política, do social, da alma humana, dos sentimentos, da afetividade, que, aliás e assustadoramente, também fariam parte da constituição do homem-robô ou robô-homem. |
- ESTA EDIÇÃO ESPECIAL:
COORDENAÇÃO: ROBERTO MANERA
REPORTAGEM: ANA LUIZA MOULATLET, ANDREA DIP, GABRIELA
LAURENTIIS (DE PARIS), LÉO ARCOVERDE, THIAGO DOMENICI,
RENATO POMPEU, ROBERTO MANERA
EDIÇÃO DE TEXTO: SÉRGIO DE SOUZA E ROBERTO MANERA
ARTE: MICHAELLA PIVETTI E MARIANA NÓBREGA
SECRETARIA EDITORIAL: THIAGO DOMENICI
REVISÃO: MAURO FELICIANO E LILIAN DO AMARAL VIEIRA
TRADUÇÃO DO FRANCÊS: RENATO POMPEU
TECNOLOGIA E PENSAMENTO
Roberto Manera avalia o choque entre a
ciência dura e o pensamento amortecido
MUTAÇÕES
Adauto Novaes observa que vivemos
não uma crise, mas uma mutação
FÍSICA NUCLEAR
Maria Cristina Batoni Abdalla descreve a
máquina que vai ensaiar o Big Bang
TEMPO E FILOSOFIA
Olgária Matos aconselha a ciência
a pensar a ciência e o homem a
recuperar o tempo de que abriu mão
BIOPODER
Newton Bignotto teme o
totalitarismo tecnológico
FILOSOFIA DA CIÊNCIA
Luiz Alberto Oliveira analisa as
complexidades da Teoria do Caos
CIÊNCIA E FICÇÃO
Jair Ferreira dos Santos e a poesia da
substituição do humano pelo artifi cial
FILOSOFIA DA LINGUAGEM
João Vergílio Gallerani Cuter disseca
a palavra “consciência”
NEUROCIÊNCIAS
Lionel Naccache visualiza o “inconsciente”
a partir da neurociência cognitiva
LITERATURA E CINEMA
João Camillo Penna lê e vê o
futuro nos livros e nos fi lmes
ENGENHARIA GENÉTICA
O estado atual das pesquisas,
na genética e na biônica
SOCIOLOGIA DO FUTURO
Eugène Enriquez vislumbra o
destino do amor, da amizade,
das utopias – e não gosta do que vê
E O NOSSO AMANHÃ?
Renato Pompeu discute a
sobrevivência da espécie humana
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