A LINHA DE FRENTE
Talvez boa parte dos leitores não tenha tomado conhecimento do 1º Anticurso de Jornalismo Caros Amigos, que seria encerrado no primeiro sábado de outubro (o verbo está no condicional porque o encerramento se daria depois de esta edição estar fechada).
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Em princípio, a idéia do Anticurso causou estranheza a umas pessoas, mas não aos 63 jovens que se inscreveram, entre eles sete de Curitiba (que cada vez vieram e voltaram de ônibus), um de Caxias do Sul (também de ônibus) e um do Rio Grande do Norte (que, hospedado em casa de parentes, passou o mês todo em São Paulo e em nossa redação). Havia ainda onze inscritos vindos do Rio de Janeiro, Itatiba, Campinas, Jundiaí, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. A maioria - 60 por cento - moças.
Foram, se tudo correu direito no encerramento, oito palestras, duas
por sábado, por conta de José Arbex Jr., Mylton Severiano,
Marcos Zibordi, Cláudio Tognolli, Georges Bourdoukan, Renato
Pompeu, Verena Glass e Claudius. Em lugar de deitar regras, a proposta
era cada palestrante expor seus conceitos a respeito da profissão,
contar suas experiências e responder a perguntas dos antialunos,
se podemos chamá-los assim.
Deu tudo certo, tanto que já estamos estruturando o 2º Anticurso.
Os jovens que se inscreveram nesse primeiro decerto concordam com o
subtítulo da proposta: “Como não enriquecer na profissão”.
O que significaria, principalmente, que acreditam na independência
pessoal, isto é, não desejariam fazer carreira à
custa de sacrificar as próprias idéias e ideais em benefício
das idéias e ideais dos donos das empresas de comunicação.
Pois é dessa forma, enfiando a consciência na terra, que
os novos avestruzes do jornalismo brasileiro acabam amealhando pequenas
riquezas que lhes propiciam freqüentar os meios dos abastados,
dos patrões e amigos dos patrões, longe o quanto possível
da maioria da população, essa mesma cujos direitos mínimos
eles fingem defender em seus escritos. A tragicomédia burguesa
de sempre, que nunca deveríamos esperar de supostos formadores
de opinião.
Felizmente, sempre existirão também as
vanguardas que batalharão contra a mediocrização
da sociedade proposta pelos jornalões e revistas das empresas
grandes de comunicação. Para essas vanguardas é
dirigida a idéia do Anticurso, e a resposta ao 1º foi sintomática:
elas são a minoria que, na profissão, tratará de
promover o conhecimento mais amplo possível das injustiças
sofridas pela maioria.
É a guerra pela igualdade, liberdade e fraternidade, geralmente
perdida, principalmente esta última, cada vez mais inalcançável
neste mundo de caixa dois.
Mais uma estréia auspiciosa: Joel Rufino dos Santos,
carioca, autor de mais de 30 livros e da História Nova do Brasil,
coleção didática que lhe custou uma prisão
nos anos da ditadura militar. Ele assinará a seção
de livros.
Aqui você vai encontrar algumas matérias disponíveis para leitura. A edição 127 já está nas bancas.
