AFIRMAÇÕES
Foram-se as eleições, e, como se viu, soprou vento novo das margens sociais. Para certos até então intocáveis representantes da classe bem provida, o vento não só foi novo como se pôs furacão, varrendo do mapa eletivo brasileiro o partido da direita raivosa, cujo presidente, enquanto a caravana passa, emite gemidos espasmódicos, sinal talvez de extinção dessa raça finalmente repudiada pela maioria da população. Se não foi extinta ainda, que as urnas não ouçam falar dela pelo menos por mais trinta anos, para caprichosamente cumprir o ditado sobre feitiço e feiticeiro.
Não se deu por acaso esse tombo da direita radical. É resultado do inconformismo crescente das maiorias diante da insensibilidade de uma minoria ínfima que ignora solenemente o quadro de destempero social que rege o cotidiano brasileiro. Inconformismo espontâneo e um pouco mais de informação. Por mais que os meios grandes de comunicação incensem o status quo, das margens sociais surgem vozes que vão multiplicando mensagens novas, ecoando desejos reprimidos ao longo da própria história do país. É o caso da entrevistada desta edição, a ministra Matilde Ribeiro. Ela dirige a Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial, que responde diretamente à presidência da República, e fez uma visita à revista para nos lembrar que em 20 de novembro se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, criado há 35 anos, na data em que foi morto Zumbi dos Palmares, herói nacional e fonte de inspiração do movimento negro.
Da conversa estimulante durante a visita nasceu o convite para a entrevista, dias depois, que tratou essencialmente de preconceito, discriminação, racismo, temas dos quais se ocupam a ministra e sua secretaria, criada em 2003. Na verdade, é uma revelação a quase desconhecida Matilde Ribeiro, que sabe do que fala com tanta propriedade porque cresceu no ferro e fogo da pobreza. Foi empregada doméstica, como a mãe, e ralou para chegar à universidade, onde despertou para a política. Da experiência como ministra tem tirado outros ensinamentos, que expõe corajosa e despreocupadamente. Por exemplo: “Estando do outro lado do balcão, identifico que os resultados nessa área podem ser visíveis hoje, mas por mais visíveis que sejam não correspondem à necessidade histórica”.
Aqui você vai encontrar algumas matérias disponíveis para leitura. A edição já está nas bancas.