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Vídeo mostra que o ex-espião russo acusava Putin pela morte de jornalista – e pretendia testemunhar na justiça

por Natalia Viana

Apenas 12 dias antes de ser envenenado em um restaurante de Londres, o ex-oficial da KGB Alexander Litvinenko acusou publicamente o presidente da Russia, Vladimir Putin, de ter ordenado o assassinato da jornalista Anna Politkovskaya. Litvinenko estava na platéia de uma debate sobre a morte da jornalista no dia 19 de Outubro, que acontecia na organização de jornalistas independentes Frontline Club. Ele pediu a palavra aos debatedores e a ajuda de uma tradutora para falar à platéia. Veja o vídeo, exclusivo no Brasil: http://video.google.com/videoplay?docid=-7225032942379831216&q=litvinenko&hl=en

No vídeo, obtido em primeira mão por Caros Amigos, Litvinenko diz que era amigo pessoal de Anna havia 3 anos, e que a jornalista costumava visitá-lo em sua casa em Londres, cidade onde o ex-espião morava desde 2000, com o status do exilado político - e onde era protegido do empresário russo Boris Berezovski. "Anna chegou a me perguntar sobre os métodos do serviço secreto russo. Perguntou se eles poderiam matá-la", disse ele. "Eu a aconselhei a sair do país por um tempo".

Segundo Litvinenko, Anna disse a ele que, depois de ter publicado o livro Vladimir's Russia - em que desnuda a corrupção, a perseguição de opositores, a restrição de liberdades civis e a decadência da inteligência russia sob o governo do presidente - ela passou a receber ameaças freqüentes. "Ela disse que Putin a ameaçou através de uma amiga de Anne que freqüentava o Kremlin. As ameaças vinham diretamente de Putin "Segundo ele, pelo seu peso político, a jornalista jamais poderia ter sido assassinada sem uma ordem expressa do próprio presidente.
"Eu sei como o serviço secreto russo controla todo o país, e uma jornalista do seu nível não poderia nem ser tocada sem a sanção do próprio presidente. Ela era uma oponente política, e foi por isso que ela foi assassinada. O Putin matou ela", disse ele, completando que estava determinado a contar o que sabia a justiça. "Eu não estou tentando esconder nada, então eu posso ser testemunha no tribunal, e os jornais podem publicar o que eu estou falando". O vídeo, em inglês, pode ser visto também no site http://www.frontlineclub.com.

Duas histórias russas
Alexander Litvinenko, ex-espião russo, morreu no fim de novembro com suspeita de envenenamento. Curiosamente, Litvinenko estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, opositora política de Putin. Anna morreu em Moscou, onde morava e trabalhava para o jornal "Novaya Gazeta". Ela ficou conhecida ao escrever sobre abusos cometidos pelas tropas russas na Techetchênia em que documentava violações de direitos humanos. Por sua cobertura critica sofria pressão constante do governo, chegou a ser presa e, segundo denunciava, ser ameaçada de morte.
O Kremlin e o Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia negaram qualquer participação em ambas as mortes. Mas a maneira peculiar como Litvinenko morreu - envenenando por plutônio 210, substância usada pelo governo russo no seu programa nuclear - ajuda a fechar o cerco contra o Kremlin. No seu leito de morte, o ex-espião escreveu uma carta em que acusa Putin pela própria morte. "Você pode conseguir calar um homem (...), mas isso terá conseqüências, senhor Putin, sobre o resto de sua vida", escreveu ele.


Natalia Viana é jornalista e correspondente de Caros Amigos na Inglaterra. Colaborou o jornalista Thiago Domenici.

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1 - Donaldo 22/08/2008 às 21:22


2 - Donaldo 22/08/2008 às 21:22


3 - Donaldo 22/08/2008 às 21:22


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