w Caros Amigos

Caros Amigos

Compre na nossa Loja Vrtual
Comente

Discorde, discuta, concorde, esperneie. Comente a matéria ao lado.

Seu nome:

Seu e-mail:

Seu comentário:

Só no siteOutras só no site

Quando chega a curva da estrada...

Ninguém sabe ao certo o que acontece depois que ela chama. E muitos desprezam o que é preciso fazer com o que fica deste lado.

por Thais Fernandes

Seus dedos finos e magros tamborilam no marco da porta. Parece impaciente. Afinal de contas, segundo o que dizem, o trabalho é diário e sem folga e ela não pode se dar ao luxo de ficar esperando. Clientes não têm regalias.

Por fim ela cansa. Arruma devidamente a roupa preta, ajeita o capuz e empunha o famoso instrumento de trabalho: é chegada a hora. Com um simples toque, uns dizem que na cabeça, outros afirmam de pé junto que é com um beijo, ela cumpre sua tarefa. Traz pela mão o mais novo integrante da trupe e atravessa o corredor invisível.

Agora é a vez do profissional de branco. Ainda sonolento, mas tentando transmitir consternação e embargo na voz, ele caminha vagarosamente em direção à família que montava guarda na recepção.

– Eu sinto muito.....

Quanto à personagem central da cena acima descrita, ninguém pode afirmar a veracidade ou não de sua existência. O fato é que a figura medieval da morte, que ainda hoje habita o imaginário popular, ao menos em essência, é “a única coisa certa na vida”. Jairo Rapone, 68 anos e diácono da Igreja São João há exatos 23, afirma isso com o embasamento teórico de um estudioso. Formado em teologia desde 1982, explica com seu “r” puxado de italiano o significado do fim da vida segundo suas crenças.

– Morrer é um sono profundo. Não é o fim, mas a transformação da vida material para a vida eterna.

Falou pouco sobre a lendária senhora de capa preta e foice na mão, a qual chama de “representação mitológica”, para no fim de um discurso doutrinário sobre a filosofia católica, resumir seus pensamentos.

– Do ponto de vista prático... morrer é uma merda.

Opinião diferente tem o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Éder Rodrigues do Nascimento. Mesmo sem a bagagem intelectual do diácono – ele que, com 18 anos e o segundo grau incompleto, interpreta a bíblia para seus fiéis –, afirma que “quem tem Jesus no coração tem uma morte boa”.

Explicações transcendentais sobre os rumos das almas, quem as vem buscar e guardar, não falta. Mas nada disso resolve o problema prático. Com alma ou não, há algo que não se pode eximir da realidade tangível: o corpo.

Trabalho sujo
Murilo e Guilherme da Silva Fernandes são os responsáveis por “Seu Nepomuceno”. Protegidos por uma porta de vidro fosco, vestem a camisa verde-musgo e a calça preta social escolhidas especialmente pelo silencioso senhor para a ocasião. O antigo sapato preto já não serve. “Ele não vai precisar mesmo”, pensa alto Guilherme. De banho tomado, barba feita e algodão no nariz, Nepomuceno é levantado pelos braços e pernas pelos garotos e depositado dentro do caixão com a delicadeza profissional. Israel Pedroso Fernandes, pai dos meninos, varre um canto da sala branca e fria quando constata: “Trabalho sujo... mas alguém tem que fazer”.

Essa é a rotina diária da família Fernandes, que há duas gerações tem como ocupação tomar conta do que o poeta português Fernando Pessoa chamou de “a curva da estrada”. Assim como o pai, nenhum dos filhos completou o primeiro grau, e, apesar de trabalharem muito bem juntos, há um ponto de discordância: “Os guris gostam do que fazem, mas isso porque eles são novos”. Israel, de 44 anos, começou na atividade depois que perdeu o emprego de caminhoneiro em Alegrete, há cerca de 15 anos. Para ele, que realiza cerca de 30 trabalhos como o de Nepomuceno por mês, a profissão traz muita incomodação e pouco benefício. “Não tem família que agüente essa rotina. Todos os caras que trabalham com isso têm algum problema... depressão, alcoolismo, tabagismo....”, conta. Indagado sobre qual o seu saldo profissional, foi pensativo e categórico em afirmar o que mais lhe dói. “Não consigo mais chorar”, desabafa.

Os guris não vêem nada de mais na ocupação. Murilo, de 22 anos, parou de estudar porque o ramo paga bem e ele não tem “saco de estudar”. O jovem possui alguns diplomas de cursos na área, sendo os mais recentes os de tanatopraxia – técnica para embalsamar corpos com formol – e o de reconstituição facial. Diverte-se com a atividade, da onde tirou um de seus passatempos favoritos: coleciona canetas de funerárias, das quais já tem 147. Guilherme, de 18, também não quis continuar os estudos apesar dos apelos do pai. Estiloso – de boné e jaqueta da Nike –, não sabe bem o que quer da vida, e enquanto isso lida com a morte.

Seres humanos
Chega o transporte de “Seu Nepomuceno”. Um senhor muito bem-arrumado desce do carro e vem verificar em que pé anda o serviço. Murilo corre a olhar-lhe os bolsos e já pede a bonita caneta prateada que exibe no lado esquerdo do peito. ”Já te dei uma semana passada”, rebate, amigável, aos pedidos. Segue-o, um senhor muito mais velho que traz um tonel de plástico nas mãos. Cumprimenta, simpático, todos os que estão no recinto e começa a colocar aleatoriamente ramos sobre a caixa de madeira que guarda o corpo.

– Pra onde vai esse ser humano? – pergunta Israel.

– Crematório Metropolitano, e a família já tá em alas – diz o dono da caneta prateada.

– Calma que aqui é rápido! Grita o senhor do tonel.

Ao lado de Nepomuceno, aguarda mais um “ser humano” que tem viagem marcada para a manhã seguinte. Enquanto Israel checa as documentações, Murilo exibe com orgulho o serviço que ele realizou. “Esse ser humano fui eu que preparei”, mostra. O referido ser humano terá que ser transladado para Goiás, e a lei estadual exige que em transportes por longas distâncias o corpo passe pela tanatopraxia, um procedimento que custa em média de R$ 800,00 a R$ 900,00. A “tanato” é a menina-dos-olhos de Murilo. “Toca aqui, olha como foi bem feito...” – pede ele.

O destino
São cinco os participantes do ritual. Pedro, Jorge, “Ponga” e dois observadores anônimos, um deles apenas identificado como o “pai de sete”. Silencioso, Antônio Carlos de Oliveira da Silva, o “Ponga”, tira as lajes. Com a rapidez e a precisão de quem trabalha desde os 12 anos no ramo, já não faz cerimônia com as baratas e lacraias que habitam o local. Compartilham o espaço com os insetos dois sacos de plástico preto. “São meus tios”, diz um sexto homem que se aproxima da cena. Como é de praxe, Ponga rabisca as letras que aprendeu com uma das filhas em um papel, registrando os detalhes do procedimento. No fundo ainda há duas pedras que tapam o resto do buraco, e a pergunta tem de ser feita: “Quanto tempo faz o último?”, questiona com o respeito digno e a naturalidade de um bom-dia. “Dois anos. Era meu primo....foi suicídio.” Um breve mal-estar toma o sexto componente da ação, mas o profissional segue. ”Então tá tudo certo, antes de três anos a gente não mexe. Só trazer o outro caixão.”

É assim que diariamente Antônio e os outros coveiros lidam com os óbitos que lhes caem nas mãos. Mesmo afirmando que gosta do que faz, Ponga diz que a parte ruim do trabalho é lidar com o sentimento das pessoas, e entoa com orgulho uma das maiores lições que tirou do ofício: “Aqui a gente aprende que todo mundo é igual; no fim das contas, todo mundo apodrece embaixo da terra”. Acostumados com a rotina diária, o assunto já não é tabu entre os colegas. “Quero ser enterrado em uma caixa de tomates”, ironiza Pedro Martins, 56 anos, há 17 no cemitério São João. Ele, assim como a maioria dos colegas, não escolheu o emprego e abraçou a oportunidade que apareceu. “O concurso da prefeitura pede só até a quinta série do primeiro grau”, conta o tímido “pai de sete”, que, com o salário-base de R$ 340,00, mais as bonificações (que contabilizam às vezes até R$ 1.500,00), alimenta as oito bocas que o esperam em casa.

Em um pequeno recinto entre duas paredes de gavetas mortuárias fica a sala de materiais. Do lado esquerdo são colocados os casacos, pás e um carrinho de mão. No direito fica o ossário. “Coveiro mesmo não tem sentimento, senão não faz o trabalho dele”, ensina Ponga, enquanto arruma o lugar. O cheiro forte também não o incomoda. “Enterrei meu próprio pai aqui, e não escorreu uma lágrima sequer. Minha irmã disse que eu sou um animal... as pessoas não entendem nosso serviço.” Mas nem todos conseguem ter a mesma frieza. Apontando Jorge Luiz dos Santos ao longe, que há nove anos é seu parceiro de profissão, ele revela um segredo. “Aquele ali tem a tia e dois irmãos aqui. No dia do enterro do segundo irmão, chegou a ficar em pé em cima da laje chorando, mesmo sabendo que não pode. Não sabe separar as coisas.”

Assombração
José Carlos da Costa Rosa, também companheiro dos outros, concorda com Antônio. “Já cheguei chorando aqui na porta, mas atravessei o portão, sou outra coisa”, conta rindo. O motivo do riso é “Tia Maria”, funcionária do almoxarifado que nunca deixa o clima ficar ruim. “Esse aí é o José Fonseca, uma perna torta e a outra seca!!!”, grita de longe. A gargalhada fina toma o lugar, e ninguém mais consegue ficar sério. O ambiente só finge mudar quando Vítor, um dos responsáveis pela administração, resolve participar da conversa. O silêncio, que parecia respeito, na verdade serviu de reflexão para uma boa piada. “Esse aí era da farra, agora virou crente”, brande seu José, seguido pela risada geral. Vítor Aguirre Brandão, 40 anos, cordialmente se defende dizendo que crente é pejorativo, e que ele é mesmo cristão. Para ele, existe Deus com seus anjos, e o “bichinho” com os “seus”. “Aqui é o lugar do bichinho...”, conta ele em tom de segredo. Os rapazes sabem que para Vítor “bichinho” é o demônio, palavra que sua religião não deixa proferir. Aí sim os colegas desabam. ”Que nada, isso aí não existe!”, manda um. “Eu nunca vi nada”, relata outro.

De concreto, existem as brincadeiras. O grupo conta que um capeleiro da noite pediu demissão porque jura por tudo de mais sagrado nesse mundo que ouviu um espírito puxar a descarga do banheiro. Quase ficou entalado na basculante da capela tentando sair depois do susto. Nem os próprios autores do ato, dois guardas-noturnos, conseguiram convencê-lo de que não era verdade o que tinha ouvido. “Assombração mesmo, só aqueles casais de preto que vêm aqui dentro namorar... esses sim dão medo”, narra seu José. Todos dizem ser normal casais góticos, e até adolescentes em horário de aula, usarem o cemitério como esconderijo de olhares curiosos. Pelo visto, não conseguem se esconder tão bem assim.

Do outro lado da cerca
Se lá dentro ninguém nunca viu nada, Dona Tita confirma. Ali da calçada também nunca enxergou coisa alguma. Celita Silva há 15 anos arruma religiosamente todas as manhãs suas flores nos diversos baldes coloridos que enfeitam as prateleiras de concreto de sua banca. A lojinha foi herança da mãe, que, antes de vender flores em frente ao cemitério, trabalhava dando a vida: era parteira. Tita é católica fervorosa e diz ser esse o motivo de o medo não a atingir. “As pessoas têm medo de morto, mas não tem medo dos arrumadinhos que vêm pra assaltar”, ensina.

As alternativas
Também do lado de fora está Alex Cardoso, 44 anos, agente funerário há 27. A funerária da qual é sócio ostenta a fachada do prédio encimada por uma pequena cachoeira artificial. A sala de atendimento, devidamente decorada em tons de azul, é também enfeitada por um jardim interno no estilo japonês. O barulho de água corrente domina sutil o ambiente. “É para deixar as pessoas mais tranqüilas aqui”, explica. Ele, mais um que trabalha com isso por necessidade, e não paixão, diz “que não há coisa pior do que lidar com a morte”, mas que é necessária uma habilidade de psicólogo semelhante a dos taxistas. “As pessoas viram nossas confidentes, confiam na gente”, conta.

Visual diferente, e função idêntica, tem a empresa de Lauro Kolensky, 48 anos e 25 de labuta. É em uma pequena sala desarrumada e suja no centro de Alvorada que a Funerária Santa Rita existe. Lauro estudou só até os dez anos de idade e, desde que veio de Dom Feliciano, sua terra natal, foi apenas esse tipo de emprego que o acolheu. “Não trocaria de profissão, é só isso que eu sei fazer”, atesta. Na família, apenas a filha do primeiro casamento se incomodava com o ofício do pai, já que não lhe agradava nem um pouco o apelido de “filha do Zé do Caixão”. Luciana Khols, a atual esposa de 21 anos, diz não se importar e inclusive assiste, curiosa, a muitos dos trabalhos realizados pelo marido. Lauro tem também uma fábrica de caixões, mas a importância dela vem mais adiante...

Escolhas
Ela era o centro das atenções. Trazia os cabelos brancos muito bem-arrumados e vestia um conjunto azul-turquesa feito sob medida. Os sapatos, cuidadosamente brancos e brilhosos, completavam o visual anos 60, sua época favorita. O dia frio e chuvoso colaborou com sua gloriosa despedida. Conservou intacto por um bom tempo o manto de uvas frescas que cobriam o suntuoso caixão de mogno instalado no meio da capela.

Trocar as flores por diversos cachos de sua fruta preferida foi o último desejo de uma senhora, que teve sua vontade atendida por Jean Patrício Enes, 23 anos, o novato com cinco anos de trabalho. O colega de Alex diz que exigências como essa não são novidades e que há desde pedidos de caixas de cerveja para o velório até carros de mensagem. O refrão da música “Tomei um pé na bunda“ foi o que embalou o adeus de um de seus clientes.

Mas nem todos optam por um final de pompas. Na sala arejada, que dá de frente para o Parque da Redenção, Jorge Antônio de Moraes Moura é o responsável há 27 anos por cuidar do 15, do 13 e do 10. Sorridente, o funcionário manco (como o colega do turno da noite) caminha com desenvoltura entre os três cadáveres expostos aos alunos. “Aqui eles tem só números, mas eu não deixo ninguém desrespeitar”, diz o zelador do necrotério da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Lecy Charão é uma das que querem virar algarismos. Aos 56 anos, a empregada doméstica já tem todos os documentos prontos, até com a assinatura dos filhos. “Quero ser útil”, é a explicação que dá para a escolha. Engana-se quem pensa que isso é raro. De acordo com a administração do curso, há mais doações do que encaminhamentos de cadáveres por parte do Departamento Médico Legal. “Morrer hoje é muito caro”, acredita seu Jorge.

Sem saída
De fato, pagar pelos serviços funerários tornou-se, além de um desgaste emocional, um susto financeiro. Em média, os valores de um serviço completo são:

Funerárias:
Enterro mais barato: 1.200
Enterro mais caro: 14.900

Sepulturas:
1ª ordem: 711,00
2ª ordem: 807,00
3ª ordem: 763,00
Cremação: 2.650,00

Capelas:
1 – Capela s/ banheiro: 50,00
2 – Capela c/ banheiro e s/ ar: 160,00
3 – Capela pequena com ar: 120,00
4 – Capela grande c/ banheiro e ar: 275,00
5 – Capela Luxo (c/ banheiro, ar e ante-sala): 400,00

Foi com o objetivo de facilitar a fiscalização e as liberações de óbitos que a Prefeitura de Porto Alegre criou a Central de Atendimento Funerário. O órgão é responsável por organizar as ações do Sistema Funerário Municipal para as famílias enlutadas, propiciar a escolha da empresa funerária, informar valores dos serviços padronizados e emitir a Guia de Autorização para a Liberação e Sepultamento de Corpos (GALSC). É também incumbência deles quando a família não tem escolha nem dinheiro para pagar um sepultamento.

As simpáticas senhoras
Tudo começou em uma tarde chuvosa de junho de 1934. Adelaide Pitrez, Célia Pereira, Nympha Gourgenheim, Lucila Lopes e Maria Santos, cinco senhoras lindas e cheirosas naturais da cidade de Pelotas, aportavam na capital gaúcha em virtude do velório de um conhecido.

Durante a cerimônia, no entanto, foi outra a cena que lhes chamou a atenção. No terreno avermelhado do cemitério Campo Santo, da Santa Casa, avistaram ao longe um ritual de despedida peculiar. Viram a água da cova rasa jorrar para fora assim que um desconhecido era jogado (sem roupa ou prece) no buraco mortuário. O ataúde servia apenas como um transporte, já que na época era reutilizado para outros enterros de indigentes. A roupa, desnecessária. A prece, um dever que elas cumpriram, atando tudo a uma meta comum. O fato chocou tanto aquelas cinco damas desacostumadas com a crueza, que elas saíram dali obstinadas a mudar essa realidade. Nascia a Sociedade União Pelotense, ou o mais popularmente conhecido “enterro do pobre”.

Já na entrada, a secretária Izabel Cristina Sá Maio recebe serelepe os visitantes. Ela, que agora é espírita, diz que aprendeu com a religião a não absorver os “maus fluídos” que às vezes vêm do trabalho. “Tinha dias que eu não dormia... mas agora aprendi, não misturo mais as coisas.” Exibida, ela mostra com orgulho as caixas de madeira que ficam em uma das salas frias da casa antiga onde fica hoje a instituição. Diz que, mesmo existindo alguns desavisados falando mal, “os caixões da Izabel são tri bonitinhos, e tem até rendinha na borda”. E é aí que entra seu Lauro mais uma vez. Ele é o artista responsável pelos esquifes com “rendinhas” que Izabel tanto exibe. Além de produzir para a venda comercial, a fábrica de Kolensky constrói ataúdes simples, mas resistentes, para o enterro dos necessitados. Ele diz que cobra R$ 68 pela unidade, mas conta, pedindo segredo, que já fez várias encomendas de graça. “Elas precisam, por isso eu faço”, explica, se desvencilhando da honra.

As quinze gurias que hoje regem a casa são responsáveis por um dos trabalhos mais nobres de Porto Alegre. Concedem a pessoas carentes o direito de partir com dignidade. Depois de atestada legalmente a impossibilidade de arcar com os custos de um funeral, a família é encaminhada para a ONG, que generosamente doa os caixões e providencia a condução da prefeitura até o mesmo cemitério que foi o estopim de tudo, o Campo Santo.

O beneficiado da ação não tem velório. Como não são prestados serviços de preparação do corpo, uma pequena tenda é montada ao lado da cova para no máximo 20 minutos de despedida dos familiares. O tradicional “7 palmos” aqui não existe. Para facilitar a remoção dali há três anos, o indivíduo fica muito mais perto do céu que do “bichinho”, e tão logo chega já parte para dar lugar ao próximo “sortudo”.

Execrável, dizem uns. Mas a retribuição é muito maior do que se pensa.

Retorno
Izabel vinha distraída na rua com o marido. Avistou dois homens na esquina, um fumava despreocupado, e o outro tentava esconder-se enquanto urinava. Ela não deu bola. Foi ao se aproximarem que teve a surpresa. Ainda soltando fumaça pelo nariz, um deles aponta o revólver para o casal.

– Passa tudo...

Sem pestanejar, os dois se põe a buscar em bolsos e carteiras o que têm de valioso, quando uma voz, depois do barulho do zíper, interrompe a ação.

– Aborta a missão.

– Tá maluco?, pergunta desconcertado um dos homens.

– Aborta a missão cara, tô dizendo...

– Tá, mas por quê?

– Essa tia aí enterrou meu pai a semana passada. E mais, me deixou usar o banheiro e pegar água sozinho na geladeira dela lá no enterro do pobre. Aborta a missão...

Sorrateiros como apareceram eles se foram. Izabel, a orgulhosa secretária das rendinhas, encerra com a explicação que para ela seria solução para os problemas da humanidade.

– As pessoas só precisam de um pouco de dignidade.

Thais Fernandes é estudante de jornalismo

 

Leia também » Dançando frevo na corda bamba. por Marcelo de Andrade

Arquivo »

[ 271 Comentários sobre esta matéria ]


1 - NUuXaoUhdJntoHiLbpJ 07/09/2008 às 13:03

la0LFf a href="http://ousjlciijbox.com/"ousjlciijbox/a, [url=http://rohgtiwafdve.com/]rohgtiwafdve[/url], [link=http://gaeweibjbtgk.com/]gaeweibjbtgk[/link], http://mjgpkuiisrnc.com/


2 - TsoMMiUrUXcGA 07/09/2008 às 12:41

QywBd7 a href="http://xfuiooiiacwx.com/"xfuiooiiacwx/a, [url=http://nprrnojeuzcc.com/]nprrnojeuzcc[/url], [link=http://ffvqyijhkyli.com/]ffvqyijhkyli[/link], http://faqsujbzcfid.com/


3 - Emanuel 21/08/2008 às 20:56

a href="http://videoinfoworld.com/1785.html" jasoning.com/a [url=http://videoinfoworld.com/1785.html]jasoning.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/1785.html jasoning.com/a a href="http://videoinfoworld.com/2913.html" restaurant-la-sapiniere.com/a [url=http://videoinfoworld.com/2913.html]restaurant-la-sapiniere.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/2913.html restaurant-la-sapiniere.com/a a href="http://videoinfoworld.com/328.html" xxxtremelinks.com/a [url=http://videoinfoworld.com/328.html]xxxtremelinks.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/328.html xxxtremelinks.com/a a href="http://videoinfoworld.com/610.html" irforqa.com/a [url=http://videoinfoworld.com/610.html]irforqa.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/610.html irforqa.com/a a href="http://videoinfoworld.com/5956.html" myeclubz.com/a [url=http://videoinfoworld.com/5956.html]myeclubz.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/5956.html myeclubz.com/a a href="http://videoinfoworld.com/2363.html" sandtreatment.us/a [url=http://videoinfoworld.com/2363.html]sandtreatment.us[/url] a href= http://videoinfoworld.com/2363.html sandtreatment.us/a a href="http://videoinfoworld.com/589.html" blendercool.info/a [url=http://videoinfoworld.com/589.html]blendercool.info[/url] a href= http://videoinfoworld.com/589.html blendercool.info/a a href="http://videoinfoworld.com/1391.html" freebierewards.com/a [url=http://videoinfoworld.com/1391.html]freebierewards.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/1391.html freebierewards.com/a a href="http://videoinfoworld.com/5440.html" 800vipgift.com/a [url=http://videoinfoworld.com/5440.html]800vipgift.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/5440.html 800vipgift.com/a a href="http://videoinfoworld.com/1961.html" ezineoutlet.com/a [url=http://videoinfoworld.com/1961.html]ezineoutlet.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/1961.html ezineoutlet.com/a a href="http://videoinfoworld.com/4751.html" mysmsrewards.com/a [url=http://videoinfoworld.com/4751.html]mysmsrewards.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/4751.html mysmsrewards.com/a a href="http://videoinfoworld.com/1747.html" loseforless.com/a [url=http://videoinfoworld.com/1747.html]loseforless.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/1747.html loseforless.com/a a href="http://videoinfoworld.com/4250.html" ticket-page.com/a [url=http://videoinfoworld.com/4250.html]ticket-page.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/4250.html ticket-page.com/a a href="http://videoinfoworld.com/5086.html" indiablink.com/a [url=http://videoinfoworld.com/5086.html]indiablink.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/5086.html indiablink.com/a a href="http://videoinfoworld.com/478.html" familycounseling.info/a [url=http://videoinfoworld.com/478.html]familycounseling.info[/url] a href= http://videoinfoworld.com/478.html familycounseling.info/a a href="http://videoinfoworld.com/5257.html" muatai.com/a [url=http://videoinfoworld.com/5257.html]muatai.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/5257.html muatai.com/a a href="http://videoinfoworld.com/2693.html" govconsvcs.com/a [url=http://videoinfoworld.com/2693.html]govconsvcs.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/2693.html govconsvcs.com/a a href="http://videoinfoworld.com/4156.html" pecangrovefuneralhome.com/a [url=http://videoinfoworld.com/4156.html]pecangrovefuneralhome.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/4156.html pecangrovefuneralhome.com/a a href="http://videoinfoworld.com/532.html" buildeminc.com/a [url=http://videoinfoworld.com/532.html]buildeminc.com[/url] a href= http://videoinfoworld.com/532.html buildeminc.com/a a href="http://videoinfoworld.com/1548.html" bitterfeld-wolfen-network.com./a [url=http://videoinfoworld.com/1548.html]bitterfeld-wolfen-network.com.[/url] a href= http://videoinfoworld.com/1548.html bitterfeld-wolfen-network.com./a


Faça seu comentário »                                                                       Veja outros comentários »

Receba o Correio Caros Amigos na sua Caixa Postal.

Seu e-mail:

 


 

 

 




Desenvolvido pela eComm

A revista Caros Amigos é uma publicação mensal da Editora Casa Amarela · Rua Fidalga, 162, Vila Madalena · Fone: (11) 3819-0130
Telefone de atendimento ao assinante: (11) 2594-0376 - Fax.: (11) 3819 5710 atendimento@carosamigos.com.br