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A periferia de São Paulo pode explodir a qualquer momento

 
Por André Hermann, Bárbara Mengardo, Felipe Larsen, Hamilton Octavio de Souza, Júlio Delmanto, Lúcia Rodrigues, Luka Amorim, Marcelo Salles, Marcos Zibordi, Otávio Nagoya, Renato Pompeu, Tatiana Merlino. Fotos Jesus Carlos
 
 
Ferréz tem 33 anos, é escritor, comerciante e autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia de São Paulo. Ficou conhecido porque expressa com realismo a dureza das relações entre povo e Estado, entre pobres e ricos, entre as precárias condições de vida nas favelas e a repressão policial.
 
Nesta entrevista exclusiva para Caros Amigos ele conta como o processo de criminalização da população pobre da periferia tem contribuído para acumular ódio e faz um alerta: “Vai chegar um dia que uma agressão a um menino ou a uma menina vai virar uma revolução em São Paulo inteira”. Fala também de sua vida e de seu amor pela literatura. Fiquem com Ferréz.
 
Hamilton Octávio de Souza - Fale um pouco da sua vida, onde nasceu, estudou, o que faz hoje.
Ferréz - Meu nome é Ferréz, eu não uso meu nome de batismo por que eu não acredito no batismo, não acredito na Igreja Católica. Prefiro um pseudônimo, por que é uma coisa que eu inventei também, como a minha carreira. Eu sou vendedor ambulante, eu só vivo com coisa debaixo do braço para cima e para baixo para vender às editoras, sou datilógrafo também, por que escrevo e trabalho com muita coisa para poder ter o básico, então vivo de muita coisa, trabalho de muita coisa. A minha infância foi normal como a de todo moleque de favela, tá ligado? Só não soltava tanto pipa porque meu pai não deixava.
 
Tatiana Merlino - Nasceu onde?
Nasci no Valo Velho, na verdade eu nasci num lugar chamado Cantinho do Céu, que é antes um pouco, ali no Jardim Capelinha, na zona sul de São Paulo. Nasci ali, fui para o Valo Velho, mas eu sempre falo do Valo Velho porque pra mim o começo da minha infância foi no Valo Velho, na casa de aluguel do meu pai. Depois eu mudei para o Capão Redondo, na verdade Valo Velho é área do Capão também, para o Jardim Comercial e estou lá até hoje.
 
Tatiana Merlino - E os teus pais faziam o que?
Meu pai é motorista de ônibus aposentado, depois foi motorista da Sabesp, se aposentou e agora cuida de um bar. Minha mãe é doméstica, trabalha em casa de família e até hoje é a mesma coisa, ela faz uns bicos e tal, tem um bazarzinho, mas vive de bico também.
 
Tatiana Merlino - E você é filho único?
Sou o irmão mais velho de uma família de três, tenho uma irmã que é enfermeira e um irmão de 18 anos.
 
Renato Pompeu - Que idade você tem?
Tenho 33. Estou pronto para ser crucificado.
 
Marco Zibordi - Então começa a falar da escola, que é a primeira crucificação, para você que não acredita em igreja, a primeira é a escola...
É. Na escola eu tive bastante dificuldade, porque eu não prestava atenção na aula, mas ao mesmo tempo eu sabia a lição. Então eu tirava boas notas, prestava atenção no professor, e até hoje os professores perguntam como é que pode esse cara nunca prestou atenção, e esse cara sabia as matérias. Eu achava que 20 minutos do que o professor falava eu já entendia, o resto era discurso meio no vazio. Eu repeti a primeira série do primeiro ano no Euclides da Cunha, eu não gostava do ensino, não gostava da escola, não odiava ir para a escola, eu só ia para conversar mesmo e eu achava que não tinha
nada a ver o que eu estava aprendendo. Eu não aprendi porcentagem na escola, entendeu? Não me ensinaram porcentagem e no comércio que eu abri eu precisava saber porcentagem. A escola me ensinou pouco, mas eu tive muitas pessoas boas na escola, muitos professores bons, que eram professores que não davam lição nem de matemática e nem de português, mas davam lição de vida. Essas pessoas fizeram a diferença.
 
Marco Zibordi - A literatura não te ligava em nada na escola?
Não, eu lembro bem da passagem que eu descobri da quarta para a quinta série, que tinha os druidas. Eu gostava muito de história e aí eu perguntava para o professor, eu lembro muito de ter chegado e perguntado para o professor o que eram os druidas e o professor não sabia e aí ele falava: eu não estou dando aula sobre isso. Eu fazia fanzine, já criava uns logos com o fanzine e aí eu fui estudar a cultura dos druidas para poder puxar para o fanzine os logos e tal, aí eu tinha uns interesses que na escola não tinha; eu gostava de quadrinhos e na escola não tinha. Eu lembro bem na oitava série de ter um livro de português e ter lá um texto do Arnaldo Antunes e aí eu falei: puta finalmente na oitava série eu vou ver um cara que eu gosto dentro de um livro de português. Por que no resto não tinha nada.
 
Júlio Delmanto - E agora você está nos livros de português...
É parece que agora sou eu, pelo menos o moleque olha e diz tem alguém aqui.
 
Lúcia Rodrigues - Você acha que a escola está distante da realidade?
Eu acho que a escola perdeu o foco total de qualquer senso de realidade. Eu acho que a escola e a realidade não têm mais nada a ver e eu acho que uma geração inteira está errando de ir para a escola e os professores serem educados do jeito que são também. Porque os professores também estão ferrados.
 
Tatiana Merlino - Quando e como você começou a gostar de literatura?
Meu, não tem uma data assim. Tipo, eu não sei assim um dia eu acordei e falei agora eu gosto de literatura, sabe? Mas eu lia sempre quadrinhos e gostava de Robert E. Howard que é o autor do Conan e aí eu buscava saber sobre o cara, e a biografia dos autores sempre me interessou mais e então eu comecei a buscar saber mais sobre os caras. Eu sempre tive um ensino paralelo ao da escola, então se eu gostava de Conan eu lia Conan no serviço e ia para escola, tinha que ler Aluísio de Azevedo ou tinha que ler Carlos Drummond de Andrade lá, mas o Carlos Drummond de Andrade lá não me interessava...
 
Lúcia Rodrigues – O que acha dos rappers tipo GOG, Racionais, Facção Central?
O Gog, o Racionais, o Facção Central, o Consciência Humana, são a minha escola também, eu não existiria e toda uma legião de caras que existe hoje que gosta de literatura e rap, não existiria se não fosse eles. O rap, pra mim, junto com os caras é uma injeção, tá ligado? Que na verdade é pra quem tá com dor, quando eu vou em faculdade fazer palestra tem um monte de gente que reclama, mas eu acho violento Facção Central, Racionais... Por que não é para eles, eles não precisam ouvir aquilo, eles não tão na cadeia, eles não tão usando droga, então não precisa. É bem claro pra mim, as letras de rap no Brasil são as melhores letras do mundo, não existe um tipo de letra de rap no mundo igual as que existem no Brasil. Um rap que o cara fala: No rio em que Jesus andou, o homem navegou e matou pela cor. Não existe em nenhum lugar no mundo um verso como o homem nasceu com defeito de fabricação, invés do coração uma granada de mão dentro do peito. É o tipo de letra que os caras fazem.
 
Lúcia Rodrigues - O que você acha dos partidos políticos, hoje?
Eu não tenho mais pensamento político nenhum. Eu acho que absteve, sabe quando você está cansado de sexo que vira abstinente? Ainda bem que você não sabe. Você não é nem um sexo de o outro, você é um ser morfológico que não tem sexo? É a mesma coisa eu na política, eu já trabalhei para deputado, já trabalhei para vereador e eu me senti muito mal depois, quando os caras são eleitos, porque eu vejo que eu não consegui alcançar os objetivos dos caras da quebrada que tava com nós.
 
Lúcia Rodrigues - Para que partido especificamente?
Era para o PT. Eu sempre trabalhei de graça para o PT, muitos anos. Sempre vendi broche, sempre andei com bandeira na rua, sempre foi de graça, eu nunca ganhei um real, mas teve algumas pessoas do PT com quem eu trabalhei mesmo recebendo e que depois me decepcionou, decepcionou meus amigos e hoje eu tenho algumas pessoas dentro da política que eu valorizaria assim, mas que eu acho que tem diálogo, pelo menos comigo assim como amigo. O Eduardo Suplicy, que é meu amigo assim pessoal,também independente de política, é o único que é eleito para 8 anos e tá lá ainda, volta eu ligo para ele, ele vai, os moleques da quebrada ligam, ele vai. É o único presente, na verdade o Suplicy não é político, ele é um ser humano.
 
Tatiana Merlino - Mas e o PT em si? O que você se decepcionou com o PT?
Ah! Eu não sei, eu votei num partido que prometeu outras coisas, entendeu? Não prometeu escândalo, não prometeu virar as costas na hora em um julgamento, não prometeu... O PT virou outra coisa, não é o que eu acreditava não. Não estou falando que tinha que ser revolucionário, que tinha que mudar tudo, que todo mundo sair de vermelho, mas era uma coisa que eu acreditava como moleque de favela que a favela ia mudar, entendeu? Mas eu tive que esperar o PCC chegar para mudar a favela, não foi o PT... A sigla foi outra, não foi o PT que mudou a favela, então nessas partes não é um governo autoritário ruim, mas também não é o governo dos sonhos que eu lutei, que eu vendi show, que o Góis morreu na estrada tentando lutar pelo partido, que eu vi muito amigo meu morrendo lutando pelo PT e ficando velho pelo PT, não era isso que a gente queria no poder e eu não tô falando só do Lula, tô falando de todo o partido.
 
Lúcia Rodrigues - O PCC mudou a favela de que maneira?
De toda a maneira possível que você pensa.
 
Lúcia Rodrigues - Positivamente?
Depende da visão. Tem gente que pensa que é positivo, tem gente que pensa que é negativo. Mas mudou.
 
Tatiana Merlino - Você pode falar um pouco dos dois lados, do lado positivo e do lado negativo?
O lado positivo é que a elite não sabe mais o que é a favela, não tem nem noção. O governo não tem noção do que é a favela mais, porque é outra favela, é outra coisa... E o lado negativo é que a população sempre vai ser oprimida.
 
Tatiana Merlino - O lado positivo é outra coisa como?
Não tem como explicar, assim... Mas mudou, eu, por exemplo, quando eu escrevi o Manual Prático do Ódio a favela era aqui, agora se eu for escrever sobre a favela agora é outra coisa. Por isso eu não escrevo mais sobre a favela, o meu próximo romance não é mais sobre a favela, por que eu não faço mais questão da elite saber o que é a favela não, não me interessa mais...
 
Lúcia Rodrigues - Mas mudou exatamente o quê? Explica um pouco melhor.
Mudou tudo. Mudou a vida criminal, tem regra, mudou tudo o que você imagina na vida cotidiana da periferia mudou.
 
Lúcia Rodrigues - É um Estado paralelo dentro da favela?
Poder paralelo? Não, é o poder. Esse negócio de dizer que é o poder paralelo, não existe o poder paralelo, o Estado não manda na favela, quem disse que o Estado manda na favela? A PM vai lá manda o cara por a mão da cabeça e tudo, repudia o cara, mas depois o cara volta a ser da favela, entendeu? Por mais que os caras cerquem um motoboy, cerquem o cara que está dentro do ônibus, bata geral em todo mundo eles vão embora e a favela continua. Então mudou tudo e vai mudar mais ainda, ta em processo de mudança.
 
Lúcia Rodrigues - Mas houve regras fixadas claras? O que aconteceu?
Há regras fixadas claras e toda uma norma de conduta e de respeito que o Estado nunca conseguiu impor.
 
Renato Pompeu - Quem impõe?
O crime.
 
Otávio Nagoya – Para os moleques de dentro você acha que é melhor ou pior?
Por um lado é melhor, por outro lado não. Você imagina que a gente deixou de viver num estado em que você pisava no meu pé e você podia levar uma comigo e eu podia te matar; você podia pisar no meu pé e levar uma comigo e eu ter que me segurar e a gente ter que se segurar, mas ao mesmo tempo nós dois estamos regidos por uma força maior que pode não se segurar, entendeu? Então você pensa o que é melhor: você estourar o seu ódio ali na hora ou você viver sob constante ameaça de um ódio maior.
 
Para ler a entrevista completa e outras reportagens confira a edição de outubro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.
 
 
_COMENTÁRIOS

Paulo Pereira Coletivo Uninove - 12/11/2009
O ódio da favela pode explodir mas deixará muitos feridos. Com uma análise mais focada nos avanços da luta popular periférica, posso seguramente dizer que os explorados, serão responsáveis pela implosão do sistema. A formação política, a propagação do conhecimento e muito amor, muito amor. Serão elementos fundamentais para que o conforto dos indiferentes, seja abalado pelo grito dos excluídos. Em 10 anos a Organizção chegará num ponto onde os crimes contra a propriedade privada serão proibidos.

Lázaro Júnior - 08/11/2009
Aprecio a forma direta e objetiva como o camarada Férrez se manifesta. Me identifico com algumas das idéias e preocupações que ele coloca, além da decepção que ele afirma em relação ao PT. Mas o mais importante de tudo isso é que muitas pessoas viveram e morreram combatendo pelo socialismo e esta luta não pode parar. Pois a cada dia, se torna mais concreto o dilema afirmando por Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie.

EDUARDO SANTOS - 08/11/2009
A ENTREVISTA FOI BOA MAISD DEIXOU MUITO A DESEJAR EM TODOS OS ASPECTO

Wilson Rildo - 30/10/2009
Preliminarmente, é sempre uma enorme e prazerosa satisfação a leitura e o conteúdo da Revista Caros Amigos que nos presenteia com ilustres personalidades. E, desta feita, não nos surpreendeu com mais uma personalidade conhecida e respeitada como Ferréz que, de maneira singela e surpreendente, corrobora com o ponto de vista e o substrato que se extrai da vida cotidiana e da arte que nasce em todos os lugares. Parabéns. Wilson RIldo(advogado)

JOSE DE ALMEIDA ARAUJO - BELO ORIENTE/MG 29/10/2009 - 29/10/2009
Lamentável, FERREZ perdeu a oportunidade de demonstrar todo o seu descontentamento com o sistema vigente, foi evasivo e não respondeu às perguntas com clareza... Poderia ter colaborado para a formação de opinião dos leitores em relação ao assunto: Periferia, omissão das autoridades e irresponsabilidade do poder público para com estas causas, enfim, sinto-me decepcionado pela falta de criatividade do entrevistado.

Alzino Lima - 27/10/2009
Infelizmente não consigo concordar com o Férrez quando ele diz que a população um dia vai explodir e eclodir uma revolução. Chegamos a um estado de banalização social, de indiferença ao que é ruim "aos outros", que nos ata. Sim, porque enquanto não nos atingir, continuaremos em nossas redomas herméticamente fechadas e protegidas. Não desmerecendo a matéria, mas não acredito que as perguntas foram fracas, naõ havendo um questionamento com vistas à compreensão do contexto social.

Leandro Dias - 26/10/2009
Como morador da periferia, faço minhas as palavras de Josué de Castro: "Havera o dia, em que os ricos não dormirão, com medo da queles que não dormem por causa da fome". É nitido o descaso do Estado com a periferia, somente vivendo o cotidiano periferico, para se ter noção. A grande massa continua, não tendo acesso aos bens que produzem, e a midia não esta mais conseguindo, esconder o que de fato esta acontecendo!! Apoio sim as palavras do Ferrez... É angustiante sentir o descaso na pele!

Fábio Costa - 26/10/2009
Existem seus pontos controversos, não concordo com o ódio que cega a maioria dos "representantes" das favelas e da periferia, seria muito mais sensato ao invés de profetizar a "explosão da periferia" incentivar o povo a retormar o que é seu , através do saber, do conhecimento e principalmente do exemplo que eles próprios se tornaram, é necessário que o Ferrez como escritor se mostre como exemplo de aprendizado q se torna conhecimento e não simplesmente profetize momentos de caos.

che - 26/10/2009
Eu não sei pq as pessoas reclamam tanto, o governo sempre fez sua parte, afinal, todo ano tem carnaval, tem futebol no maracanã, e novela na globo, esse povo alienado merece.

Luiz - ZS - 26/10/2009
Mais uma vez o Ferréz fala o que pensa, admiro isso nele, mesmo não concordando com todos os tópicos, bom lembrar que o governo do PT veio para mudar o Brasil e quando olhamos para trás percebemos que existem muitos lugares piores que a quebrada de Sampa, não que seja o melhor lugar do mundo para se viver, as mudanças devem vim aos poucos, séculos de descasos com os descamisados deste país.

solange - 25/10/2009
Se um burguês fosse inteligente, pensaria melhor em ouvir a voz da periferia.Mas fica aí o aprendizado para quem interessa...aqueles que querem mudar a sociedade...nós!!Como diz o rap do "Facção, Eu não quero estar na coleção de Cds do Tio Patinhas"...As idéias tem que fluir entre nós que queremos mudar as coisas.Eu não aceitarei nunca a falta de igualdade social, as crianças nas ruas, a miséria, a fome, aa falta de lazer, o vício destruindo as pessoas, o traballho alienante...Viva Ferréz!

Elvis Vieira - 24/10/2009
Confesso que fiquei um pouco decepcionado com essa entrevista, pois já li alguns artigos muito bons do Ferrez. P.S.: Faltou perguntar o quê ele acha da legalização da maconha, e se ele concorda que o abuso no consumo pode trazer malefícios à saúde.

Danilo Góes - 24/10/2009
Meu quem é de fora num ta ligando..... fica de chapéu... o ferrez respondeu a pergunta sobre o pcc.. mas quem num tem um minimo de vivência na periferia num vai entender mesmo.

Cidadão - 23/10/2009
Em respostas a "Acauá Cunhapora": eles não vão tomar nada por direito. Mas podem tentar tomar por criminosos que são...

Luiz Alberto - 23/10/2009
O cara é um orgulhoso. Quer produzir cultura mas não quer se educar! Depois os arrogantes são os "malditos burgueses"! Somente pessoas sem cultura ou esquerdistas que querem usar uma produção como essa politicamente podem realmente achar algum valor numa monstruosidade cultural destas. Se os pobres dos meninos da periferia só tem acesso a isto, então vão todos virar bandidos ou revolucionários, o que é a mesma coisa... pessoas como o Sr. Ferrez é que ajudam a dinamitar a soberania nacional.

Luiz Alberto - 23/10/2009
Acauã: "eles háo de tomar o que é deles?". O que você sugere, cortar a cabeça de todos os ricos ou burgueses? Assassinatos em massa? Fez bem em colocar um pseudônimo, porque o que você disse é uma apologia ao crime. Essa revista e esses esquerdistas agradam-se do sangue humano. Querem criar um poder financiado pelo tráfico de drogas. Mas se legalizarem as drogas, essa "cultura da periferia" vai ser jogada na lata de lixo da história, porque é apenas um instrumento nas mãos de globalistas.

Camila - 23/10/2009
Acredito que Ferrez possa ter algo a passar às pessoas....ótima historia Mas não saber formular uma frase realmente dificulta e desanima continuar a leitura...

Ana Luísa - 22/10/2009
Que pobreza de entrevista. O entrevistado não consegue dar uma resposta coerente a nenhuma pergunta e nem sequer formar uma frase que faça sentido. Lamentável.

Diogo Bizotto - 22/10/2009
Fugiu da resposta quando foi questionado sobre algo que foge da abstração, sobre a tal "realidade" atual do lugar onde vive, sob o jugo do PCC. Já vi esse cara falando muita bobagem. Parece ser do tipo que tem sempre uma postura de julgamento quanto a pessoas que têm outro "way of life", destilando seu ódio.

Robson Rahsaan - 21/10/2009
Em poucas palavras, Ferréz representa sabe o que ta falando. Quem não conheçe, fala que nunca leu nada dele, é porque só deve ver a realidade mostrada na "telinha", não onde tudo acontece que é nas ruas, becos e vielas...Parabens Ferréz, 1dasul é nóis!

Jair - 20/10/2009
A dinâmica da vida é uma constante no cotidiano das pessoas, as realidades se apresentam cotidianamente, e na favela não poderia ser diferente. Concordo com a afirmativa do Ferréz, quando diz que tudo mudou, e continua a mudar. O Estado com seus agentes de segurança, só comparece na favela para espezinhar e assassinar (mais inocentes que pretensos criminosos). Não tem poder sobre as populações desses locais.

Cezar Martins - 20/10/2009
E agora? Se o poder paralelo é o poder, como o poder vai mudar o poder? Ou será que o poder lucra com o o poder que antes era paralelo e não quer essa mudança?

Rolo - 17/10/2009
Editor: Quem é esse Ferrez, que se coloca como porta voz dos que não tem nada? Escritor? Nunca li nada dele. Comerciante? De quê? Seria um genuíno representante da periferia ou um burguês que ascendeu socialmente graças ao costume dos intelectuais em incensar a realidade que só conhecem através dos livros? Se o "ódio da favela vai explodir", Ferrez não pode esquecer que as revoluções sempre decapitam seus líderes, porta vozes e ideólogos, meros ídolos de pés de barro.

Linamarina - 17/10/2009
Acompanho o Ferrèz e conheço a periferia. Agora moro no interior, numa cidade que não tem favela, mas tem a cultura da periferia e o poder não é o do estado também. A população está sinceramente agradecida. A tranquilidade é imensa. E a polícia colabora. Ninguém se mistura e são todos cuidados, não está escrito, mas é sentido e visto. Não é uma democracia, mas uma ditadura amistosa e funcional. Onde isso vai parar eu não sei. O que sei é que as coisas mudaram.

José Alexandre Hage - 16/10/2009
Prezado editor. Respeito a linha editorial da revista. Mas me chama atenção o fato de que a pobreza da periferia tem se tornado um sistema à parte e, a partir daí, fornecido uma cultural original que obrigatoriamente é virtuosa. Por isso a entrevista e uma certa concordância que uma parte da intelligência nacional tem com personalidades como esse Ferrez, um porta voz da periferia, em que o que vale é a vitimização da sociedade. Não concordo. O espaço aqui é curto para eu contestar.

Acauã Cunhapora - 16/10/2009
As raizes se firmaram, o que está bem fincado no chão, dificilmente poderá ser cortado. Férrez não precisa dizer o que mudou na favela, vamos perceber quando eles descerem de lá e vierem tomar o que é deles por direito. Simples e justo. Seja pelo crime ou pela paz, eles hão de tomar o que é deles.

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