Egito: Torcidas protestam no Ministério do Interior no Cairo
Integrantes de torcidas acusam governo de ajudar em tragédia que deixou 70 mortos
Por Aldo Sauda
Especial para Caros Amigos
Depois das manifestações pacíficas no primeiro aniversário da revolução, em 25 de janeiro, quando os hospitais de campo montados na Mesquita Makram e na Igreja Evangélica das redondezas não atenderam a nenhum caso de ferimento, a Praça Tahrir transformou-se novamente em palco de guerra. Os conflitos com a polícia nacional retornaram às ruas do Cairo. Os jovens egípcios, muitos deles ligados às torcidas organizadas, mantêm cercado o Ministério do Interior, na Rua Mohamad Mahmoud, com o claro intuito de tomar o local. O prédio, descrito como "A bastilha egípcia", é a sede da polícia nacional, apontada pelos manifestantes como a principal responsável pelo confronto na partida de futebol entre o Ahly, maior time do país, e o Massry.
Responsabilidade
O massacre de Port Said, no qual mais de 70 pessoas morreram, levantou boa parte da opinião pública contra a Junta Militar que governa desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. A sessão emergencial sobre a tragédia realizada no recém-eleito parlamento chegou à conclusão de que a responsabilidade pelas mortes cabe ao Ministério do Interior. Mas enquanto os dirigentes da Irmandade Muçulmana, partido majoritário da Casa, culpam "remanescentes do regime Mubarak", parlamentares próximos aos movimentos de juventude responsabilizam diretamente o chefe da Junta, o marechal Hussen Tantawi.
Ao mesmo tempo, a falta de poder concreto da instituição, que não possui legitimidade jurídica para destituir o primeiro ministro, nem interferir no Executivo, têm levado às maciças manifestações de rua. A grande maioria dos jovens que hoje ocupa Tahrir parece mais disposta em organizar enfrentamentos com a polícia do que esperar por resultados das conversas do novo parlamento, dirigido pela Irmandade, e os generais da Junta Militar.
Polícia
O consenso nas ruas é de que a morte dos torcedores do Ultras Ahly, a maior torcida organizada do Egito, foi inteiramente orquestrado pela polícia. Isso porque desde o 25 de janeiro de 2011, data do início da revolução, os integrantes do Ultras Ahly, ao lado de seus rivais da torcida do Zamalek, o segundo maior time do país, têm organizado as linhas de frente dos embates com a polícia e o exército. A sua experiência nos conflitos de rua deu a eles um papel tido como fundamental na derrubada de Mubarak ano passado.
Apesar de uma certa tradição de rivalidade com os times de Port Said, os embates dos torcedores do Ahly com os do Massry jamais resultaram em tragédias. Até a semana passada, nenhuma das brigas de torcida no Egito terminaram em mortes. Dentro deste contexto, os "Ultras" afirmam categoricamente terem sido alvos de um acerto de contas.
Saídas fechadas
"Fomos assassinados por uma massa dirigida por agentes infiltrados do serviço secreto e com o consentimento dos policiais que estavam lá para supostamente nos proteger", afirmou Mahmoud Abu Shark, militante pan-arabista e um dos fundadores do Ultras Ahly.
"A polícia trancou os portões para impedir que saíssemos do estádio. Em nenhum lugar do mundo se tranca as saídas antes do fim do jogo, qualquer um que já assistiu uma partida de futebol sabe disto." Para Abu Shark, apenas a continuidade da revolução resolverá as tensões entre a juventude e a polícia. "Nossos inimigos são os militares e não a torcida do Massry. Vamos derrubar esta junta nas ruas, estamos dispostos a ir até o final, custe o que custar."




Comentários
Não sei si esou errada.
Sucesso na sua nova etapa no egito.
Bjo
Montserrat
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