Saúde Pública: Nem Comunidades, Nem Terapêuticas
NEM COMUNIDADES, NEM TERAPÊUTICAS
Por Gabriela Moncau
A van branca chegou, seguida por um carro. Se alguns acharam o movimento suspeito, já que no vale do Anhangabaú não é permitida a circulação de carros, os moradores de rua, em sua maioria usuários de crack, agiram com naturalidade e assim que a avistaram se aproximaram ansiosos. Naquele domingo chuvoso, um pouco de comida para os que passam as noites embaixo do Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, era bem vinda. O motorista e um homem que parecia ser um segurança particular permaneceram dentro do carro, observando a família bem vestida que descia da van e se enfileirava na frente dos alimentos. Os moradores de rua, mostrando que já conheciam o ritual, manejavam a paciência que o estômago vazio os permitia ter, e esperavam calados. Não houve conversa, nem cumprimentos. Somente depois de uma longa pregação religiosa, tiveram direito ao pão francês puro e um copo de leite. A família rapidamente entrou na van de vidro fumê e partiu.
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