José Arbex Jr analisa o que move as ações de repressão com uso da PM
Pau nos “noias”
Por José Arbex Jr.
A cena do policial militar espancando o estudante negro na Universidade de São Paulo causou indignação num setor da opinião pública, mesmo entre os que apoiaram a iniciativa de convocar as tropas para reprimir os “maconheiros” e “filhinhos de papai” que “só querem fazer bagunça na universidade sustentada por nossos impostos”. Menos mal que ainda haja pessoas capazes de se revoltar diante da ignomínia e causar um barulho suficiente para afastar o policial de suas funções. Mas há uma óbvia falácia na tentativa de imputar a um sargento, isoladamente, práticas racistas, preconceituosas e agressivas. Sem a menor pretensão, é óbvio, de justificar sua atitude, deve-se reconhecer que o oficial apenas seguiu a lógica que orienta o sentido e determina a natureza das intervenções policiais em todo o país, contando, na maioria das vezes, com o apoio das mais diversas camadas da sociedade. O único problema consistiu no fato de que suas ações foram por demais evidentes e explícitas. O que chocou não foi o preconceito e o racismo, mas a sua manifestação sem disfarce e divulgada pela rede. E pior: a vítima da agressão era de fato estudante, tinha nome, sobrenome e RG.
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