Entrevista: Paulo André
Entrevista: Paulo André
"Existe vida fora do futebol"
Por Otávio Nagoya
Aos 28 anos, Paulo André já pensa no futuro, não somente no seu próprio, mas também no futuro do futebol brasileiro. Desde que foi repatriado pelo Corinthians, em 2009, o zagueiro tem se destacado por suas declarações à imprensa e também pela publicação de textos em seu blog
“http://pauloandre-13.blogspot.com/”, sempre abordando questões sociais relacionadas ao esporte. Paulo André defende uma conexão real entre a educação e o futebol e alerta que, para
transformar a realidade do futebol, é necessário garantir a formação do atleta, desde as categorias de base até o fim de sua carreira.
Caros Amigos - Como foi o começo da sua carreira, os estudos e a sua formação política?
Paulo André - Saí de casa aos 14 anos, deixei Campinas e vim para São Paulo, jogar no São
Paulo Futebol Clube. Fiquei quatro anos morando dentro do estádio do Morumbi ou no alojamento em Cotia, mas não deu certo para que eu subisse ao profissional. Fui para o CSA de Alagoas, de lá fui para o Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, e depois para o Águas de Lindoia, um time da sexta divisão. Nesse momento, quase parei de jogar. Tinha 19 anos e a coisa não estava andando, mas depois de uma boa campanha, o Guarani me descobriu e me levou de volta para Campinas. Entrei no Guarani como profissional, já contratado, e dali pra frente
minha carreira caminhou. Fui vendido para o Atlético Paranaense e depois fui para a França.
E como foi esse período de transição entre o futebol amador e o profissional?
Nessa vida de alojamento, sempre aparecia aquela insegurança de ser ou não jogador. Eu via meus amigos e meus irmãos evoluindo, estudando na sequência normal da vida, colegial, faculdade e depois o trabalho. Quando eu voltava para casa, meus amigos brincavam, “o Paulo André virou jogador de futebol, agora é burro, não estuda mais”. E com medo de não virar jogador e estar perdendo tempo, comecei a buscar leituras, indicações de livro e tentei acompanhar o que meus irmãos estudavam no colegial. E também teve os três anos que passei na França, aquela sociedade completamente diferente da nossa, que reclama seus direitos. Esse período me fez bem. Quando voltei para o Brasil, queria ajudar de alguma forma o país a melhorar.
Muitos garotos abandonam os estudos para se dedicar ao futebol, mas nem todos conseguem se profissionalizar. Como você enxerga a questão da educação nas categorias de base?
Hoje, uma das minhas lutas é melhorar a formação do atleta na base. Lógico que o rendimento
é importante, mas a formação do indíviduo é fundamental. Acho que deveria ser uma obrigação dos times garantir um complemento educacional dentro do clube, porque, infelizmente, a educação pública não é suficiente. O jogador de futebol é simplesmente reflexo da sociedade, nada mais do que isso.
Para ler a entrevista completa e outras matérias confira edição de fevereiro da revista Caros Amigos, já nas bancas.



