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Cinema: Um dia de São Bartolomeu Contemporâneo

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Cinema: Um dia de São Bartolomeu Contemporâneo

A chacina praticada por policiais na favela carioca de Vigário Geral vai virar longa-metragem dirigido pelo cineasta cearense Milton Alencar Jr.

Por Paulo Cezar Soares

29 de março de 1993. A seleção brasileira de futebol goleou a Bolívia por 6 a 0, no estádio do Arruda, em Recife, jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo nos Estados Unidos, passo importante na campanha que acabou conquistando o título de tetracampeão mundial em 1994.

A data é emblemática na história da cidade do Rio de Janeiro, pois foi exatamente nesse dia que a opinião pública ficou estarrecida diante da tragédia ocorrida na favela de Vigário Geral, Zona Norte do Rio, onde 21 moradores, todos inocentes, sem nunca terem tido nenhuma passagem pela polícia, foram executados, de forma aleatória, por um grupo de policiais civis e militares, denominado Cavalos Corredores, pois tinham o hábito de entrar nas favelas correndo e atirando. O episódio teve repercussão nacional e internacional.

No dia anterior, o sargento Ailton Ferreira dos Santos e mais três policiais foram até o principal ponto de drogas da favela, comandado à época por Flávio Pires da Silva, o Flávio Negão, com o objetivo de pegar o dinheiro da propina, paga para aliviar a repressão. Quando chegaram na praça Catolé do Rocha, foram surpreendidos por uma emboscada arquitetada por Flávio Negão e seus comparsas, que executaram os quatro com tiros de AR-15 e de pistolas automáticas. A vingança veio rápida: no dia seguinte, com a chacina.

Guardadas as devidas proporções o fato traz à memória o massacre do Dia de São Bartolomeu, um dos acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, ocorrido na França, em 24 de agosto de 1572, quando Catarina de Médici ordenou o massacre dos líderes protestantes em Paris, tudo em nome da pureza religiosa. Aqui, PMs que são pagos pela sociedade para defender a lei e a vida dos cidadãos, reuniram- se com o único intuito de vingar colegas de farda, e acabaram escrevendo uma das mais horríveis páginas da história da cidade do Rio de Janeiro.

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