Oriente Médio: O preço foi alto demais?
Oriente Médio: O preço foi alto demais?
Por Gershon Knispel
Ainda no avião rumo a Israel, apareceu na tela da televisão a notícia sensacional sobre a assinatura do acordo entre Israel e o Hamas para a troca do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em 25 de junho de 2006, por 1.070 prisioneiros palestinos. Descendo no aeroporto de Tel Aviv, fui arrastado pela euforia que pegou todo mundo gritando de alegria e com lágrimas de entusiasmo, levando multidões às ruas. Os pais de Gilad, desesperados e angustiados, cansados das promessas do governo de libertar o seu filho, abandonaram três anos atrás a casa no assentamento da Galileia, montando uma tenda em frente ao ministério do primeiro- ministro Netanyahu, em Jerusalém. Em solidariedade, centenas de tendas foram armadas junto aos pais de Gilad.
Essas manifestações foram o início desse novo fenômeno de crescente protesto de multidões contra o atual governo ultranacionalista, que no final se rendeu pressionado e foi obrigado a aceitar a “chantagem dos terroristas” e devolver 1.027 palestinos condenados à prisão perpétua, com “sangue nas mãos”, com as mesmas condições apresentadas há cinco anos atrás, quando foram rejeitadas. Com razão, o público está criticando: por que devemos esperar cinco anos, arriscando que o destino de Shalit seja o mesmo que o do piloto Ron Arad, há 25 anos atrás, que apodreceu na cadeia até a morte? Foram os crescentes protestos que trouxeram Gilad Shalit de volta para casa.
O PREÇO DA OCUPAÇÃO
O “preço tão alto” da troca de Gilad, na verdade, não era para libertar o soldado israelense, mas para pagar o preço da ocupação. Enquanto a população não entender esse fato, vamos pagar um preço cada vez mais alto. Somente com a força crescente das manifestações revoltadas, espalhadas como um tsunami, dirigida contra a própria ocupação, vão enfim superar esse nacionalismo fanático e a terra vai se acalmar.
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