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Paçoca: Beethoven, Baden Powell e Beto BarBosa no bordel

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Por Pedro Alexandre Sanches

Você está numa gafieira, onde um músi- co com terninho cafona, calça amarela gruda- da tipo Fiuk e sapatos brancos lustrosos de bico preto canta secundado por duas moças maquia- díssimas, de minissaias e corpetes cintilantes. A banda toca merengue, carimbó, lambada, gui- tarrada, brega e tecnomelody – todos ritmos de feição nortista, amazônica, paraense.

Na verdade, você está num show de Felipe Cordeiro, 27 anos, cantor, compositor e guitar- rista belenense. Ele é filho de um músico popular do Pará (Manoel Cordeiro), fez escola de música, estudou piano erudito e é formado em filosofia. Apresenta o repertório de seu disco Kitsch Pop Cult, que circula em Belém há alguns meses e será lançado nacionalmente em março de 2012. Você está diante da contraditória, misturada, pa- radoxal, desafiadora música do novo Brasil.

“Meu pai é marajoara (nascido na ilha para- ense do Marajó) de Ponta de Pedras, mas se con- sidera amapaense de Macapá, onde se criou”, conta Felipe, começando pelo início. “Com meu pai ouvi de tudo, dos arranjos de Rogério Duprat ao violão de Baden Powell e obviamente a lam- bada dos anos 1980.”

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