O caso do Enem (Ou ocaso do Enem?)
O caso do Enem (Ou ocaso do Enem?)
Diferentemente do que ocorreu em outros países, a introdução de um exame de final de ensino médio não surge como solução.
Por Otaviano Helene
o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) surgiu no final da década de 1990, com finalidades e características bastante parecidas com as dos exames equivalentes existentes em diversos países. Entretanto, diferentemente do que ocorreu em outros países, a introdução de um exame de final de ensino médio não surgiu como uma solução para eventuais problemas educacionais.
Entre os argumentos que justificavam a introdução do Enem estava a expectativa de que ele, ao avaliar as “habilidades e competências”, daria maiores chances para os estudantes desfavorecidos na disputa por vagas no ensino superior. Entretanto, essa expectativa não corresponde à realidade. Qualquer que seja o tipo de exame, desde que bem feito, leva a resultados basicamente equivalentes. Se a ordem dos classificados por um procedimento de avaliação não é exatamente igual à de outro, isso é irrelevante para qualquer finalidade prática. E no topo da lista estarão os estudantes que frequentaram boas escolas e provenientes das camadas mais favorecidas da população. Para esse grave problema da segregação social e econômica do nosso sistema escolar, o Enem não é uma solução.
Inicialmente, o resultado do Enem foi usado como um processo seletivo apenas por instituições privadas pouco disputadas. Adotando o Enem, essas instituições têm vários ganhos: recebem uma espécie de aval das instituições públicas, no caso o próprio MEC, que faz o exame; passam a atrair estudantes de regiões mais distantes; e economizam dinheiro, pois não precisam fazer seus exames de seleção.
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