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Primeiro desaparecido da ditadura pode ser localizado

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Primeiro desaparecido da ditadura pode ser localizado

Buscas pelos restos mortais de Virgílio Gomes da Silva, militante político contra a ditadura, serão retomadas em fevereiro, no cemitério de Vila Formosa.

Por Lúcia Rodrigues


o desfecho para a angústia que atinge os familiares do dirigente da Ação de Libertação Nacional (ALN), Virgílio Gomes da Silva, pode estar próximo do fim. A descoberta de uma vala clandestina no final do ano passado no cemitério de Vila Formosa reacendeu as esperanças para a localização de seus restos mortais. As buscas pela ossada do ativista político, interrompidas em dezembro, serão retomadas a partir de 14 de fevereiro.

Virgílio encabeça a lista de desaparecidos políticos da ditadura militar. O comandante Jonas, como era conhecido pelos companheiros da ALN, está desaparecido há quase 42 anos. Preso em 29 de setembro de 1969 por agentes da Operação Bandeirantes (Oban), o embrião do famigerado DOI-Codi paulista, foi trucidado pelos militares no mesmo dia.

Os órgãos de repressão nutriam ódio particular por ele. Virgílio comandou uma das ações mais espetaculares contra a ditadura. O sequestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick, em 4 de setembro de 1969, rendeu notoriedade internacional ao grupo guerrilheiro e nocauteou momentaneamente a ditadura.

A operação foi um golpe de mestre. De uma só tacada, obrigou os militares a reconhecerem publicamente a existência da tortura no Brasil, além de conseguir a libertação de 15 ativistas políticos que estavam presos nos porões do regime.

Os generais foram obrigados a aceitar as exigências feitas pelos guerrilheiros, para obterem a soltura do embaixador. Um manifesto redigido pelo jornalista e ex-ministro do governo Lula, Franklin Martins, que também participou da ação, denunciando a violência praticada pelos militares e contendo os nomes dos 15 presos políticos que deveriam ser libertados em troca do embaixador norte-americano foi lido nos meios de comunicação televisivo e radiofônico, além de ter sua publicação impressa nos jornais.

Forças repressivas

A ousadia revolucionária, no entanto, sofreu um revés após a libertação do norte-americano. A retumbante derrota imposta pelos guerrilheiros à ditadura intensificou a ira das forças repressivas. A caçada contra esses ativistas não cessou. Os militares estavam ávidos por dar uma resposta contundente à desmoralização sofrida pelo sucesso da operação compartilhada pelos guerrilheiros da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

O comandante que colocou em xeque o poder dos generais durante dias foi convertido no principal alvo da fúria da caserna. Sua captura era questão de tempo. Vinte cinco dias após o sequestro do embaixador, Jonas caiu. A sanha de seus algozes ordenava punição exemplar. Nenhum de seus ossos foi preservado. Dos órgãos vitais, o único que restou intacto foi o coração, os demais foram dilacerados pelas brutais torturas a que foi submetido.

Mesmo assim, os militares consideravam pouco. Matar Virgílio não bastava, era preciso impor punição duradoura à família do guerrilheiro que desmoralizou a ditadura. Por isso, seu corpo nunca foi entregue. O comandante Jonas foi vítima do método de sofrimento prolongado, utilizado pelos militares, que foi propagado centenas de vezes ao longo dos anos de chumbo.

Mais de 400 ativistas políticos continuam desaparecidos ainda hoje no país. Segundo o representante do Fórum de Ex-Presos Políticos, Ivan Seixas, além de Virgílio, estão enterrados no cemitério de Vila Formosa, mais nove ativistas que combateram a ditadura militar. Alceri Maria Gomes da Silva, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Antônio dos Três Reis de Oliveira, da ALN, Antônio Raymundo de Lucena, da VPR, Devanir José de Carvalho, do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Edson Neves Quaresma, da VPR, Joelson Crispim, da VPR, José Idésio Brianezi, da ALN, José Maria Ferreira de Araújo, da VPR e Sérgio Roberto Correa, da ALN.

Pelo menos três deles foram enterrados com nomes falsos. Joelson foi sepultado no terreno 677 da antiga quadra 57, como Roberto Paulo Wilda, José Maria, como Edson Cabral Sardinha, na sepultura 119 da antiga quadra 11e Edson, no terreno 66 da antiga quadra 15, com o nome de Celso Silva Alves. A maioria dos demais ativistas foi enterrada na quadra 57. Alceri na sepultura 849, Antônio de Lucena na 253, Antônio de Oliveira na 848 e José Idésio na 620. Devanir foi enterrado no terreno 273 da quadra 19 e Sérgio e Virgílio na quadra 50, atual 47, nas sepulturas 1.038 e 1.147 respectivamente. Ambos foram sepultados como desconhecidos. Sérgio sob o número 3.700 e Virgílio sob o número 4.059/69.

Para Ivan, a localização dos desaparecidos da ditadura é um objetivo que deve ser trilhado sem trégua. “Temos de lutar pela abertura de todas as valas clandestinas e o Estado tem a obrigação de identificar essas pessoas”, ressalta.

 

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Comentários  

# Terezinha Soares
O silêncio sobre o tema Anos de Chumbo/Ditadura é praticamente total nas escolas e universidades, a nova geração está sendo privada de saber o que realmente aconteceu com os desaparecidos politicos e quem foram as vitimas e torturadores. Isso não pode continuar.

Terezinha soares,
Recife/PE
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# simone
Enquanto o silêncio paira vemos os jovens com preconceito contra os torturados, como se os criminosos fossem os guerrilheiros.
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# Leonard Christy
O Brasil Nunca Mais deve servir de exemplo!!! Falar os nomes dos torturadores e da barbárie que foi cometida cumpre um objetivo fundamental: relembrar para fazer com que isso NUNCA MAIS ACONTEÇA!
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# nara
Se é possível saber sobre o primeiro, talvés encontre os do meio.
Necessito saber o que aconteceu com meu avô, desaparecido no período da Ditadura Militar do Brasil. Minha mãe sente não saber o que ouve, pois, partiu de São Paulo até a Bahia sem seu pai na dácada de 70. E o busca até hoje. Acrescento que hove evidencias em sua lembraça do envolvimento do pai com a política na época, ele também trabalhava como operário na cidade de S.P.
NOME DO DESAPARECIDO: José Sabino da Silva, nascido em Pernambuco, casado,morou na Bahia e em São Paulo.
Agradeço qualquer informação.
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# Claudia
Também perdi minha mãe em 1974, morava no centro do Rio. Saiu e nunca mais voltou, uma busca sem fim, esperanças e um enorme vazio.Não teve um dia sequer que minha vó não procurou notícias.Morreu e nem indícios da minha mãe. Maria Margarida de Oliveira, nascida em São Mateus _ES. Foi para o Rio de janeiro em 1970.
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