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Soneto para janeiro [2101]

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28/01/2011

Porca miséria!

Soneto para janeiro [2101]

Por Glauco Mattoso

Janeiro é mez de contas. Ja não sobra
nem cheiro dos assados natalinos...
Agora é só boleto que me cobra
o carro, a casa, a eschola dos meninos...

Durissimo, sem margem de manobra,
descasco abacaxis, corto pepinos...
Ninguem, mais do que eu dribblo, se desdobra
em meio a proprietarios e inquilinos...

Tentei guardar o decimo terceiro,
mas quem fallou que fica algum dinheiro
no saldo, si a vidinha anda tão braba?

Das ferias volto até mais estressado...
Só tem, de positivo, o mez um lado:
faltando apenas onze, um anno acaba...


Mal começamos o anno e, juncto com a troca da presidencia, volta aquelle pappo do “imposto do cheque”, com seu malfadado effeito cumulativo e extensivo, a tudo e todos. Sempre que a carga tributaria é onerada, suscita-nos o infallivel commentario de que só falta taxarem o ar que respiramos. Começo a crer que esse desabafo pode deixar de ser mera força de expressão. Duvidam? Ora, ja estamos technicamente perto disso.

Da agua ja se falla que será rara e cada vez mais cara: não se cogita de installar um apparelho medidor para cada apartamento, em todos os condominios? Dos animaes e dos presidiarios (o que dá no mesmo) ja se falla que podem ter um chip identificador implantado no corpo.

 

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