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Ano novo, morte nova

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28/01/2011

Ano novo, morte nova

Por Cesar Cardoso

RIR É O MELHOR
No centro do palco um sujeito usando roupas de atleta está amarrado de cabeça pra baixo há mais ou menos uma hora e meia. Ele não disse uma palavra, percebemos apenas sua respiração pesada. Por fim, um outro sujeito, com roupas de atleta idênticas às do primeiro, entra em cena, em marcha cadenciada, dá duas voltas pelo palco e, ao passar novamente pelo que está amarrado, saca um revólver e lhe dá um tiro na cabeça, fazendo espirrar sangue até a terceira fila.

E nós estouramos numa gargalhada sem fim.

A VISTA
Alá o gordo olhando a vista, agora uma janela vazia, uma com cortina, outra com persiana, era um gato naquela ali?, ó, alguém almoçando, ali tá em obras, uma com grade, não é bem grade, é aquele nylon trançado pra criança não se pendurar, aquilo é nylon?, uma com vidro quebrado, ih, se chover..., um ar condicionado velho, agora é grade, olha a velha, acho que me viu, não, foi só impressão, hum, ali, cheia de calcinhas secando, mais alguém olhando pra ontem, outro gordo e agora o chão onde eu me arrebento.

 

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