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Energia nuclear: quem ganha é o mercado

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Energia nuclear: quem ganha é o mercado

Setor ganha novo fôlego na Europa mesmo depois da publicação de dados alarmantes sobre os recentes efeitos devastadores da radiação.

Por Anelise Sanchez

A Europa de hoje enfrenta um enorme desafio em matéria de política energética. De um lado, crescem significativamente os subsídios destinados à produção de energia proveniente de fontes renováveis. Um recente estudo realizado pela universidade italiana Bocconi e a consultoria Accenture estimam que, até 2020, os países membros da União Europeia deverão investir no setor pelo menos 150 bilhões de euros.

Por outro lado, apesar dos recentes protestos populares contra a criação de novas usinas nucleares, países como a Itália e a França continuam investindo na construção de reatores nucleares de última geração para a produção de energia.

Em 2004, a IAEA (International Atomic Energy Agency) já previa que, até 2020, a energia elétrica obtida a partir do calor produzido pela reação do urânio diminuiria em função dos investimentos em outras alternativas energéticas. No entanto, os números demonstram que a energia nuclear ainda incide significativamente na política energética internacional.

Segundo o relatório International Status and Prospects of Nuclear Power, da IAEA, as usinas nucleares respondem atualmente por 14% da produção de energia elétrica mundial. Em  outras palavras, isso significa que a energia nuclear ainda é a terceira maior fonte de energia, logo depois do carvão e do gás natural.

Atualmente, existem cerca de 440 reatores comerciais ativos em 31 países e exatamente 14 nações, que, juntas, representam a metade da população mundial, estão construindo 45 novos reatores. Somente nos Estados Unidos da América existem 104 usinas nucleares e o país lidera o ranking das nações geradoras por fonte nuclear, sendo responsável, em 2008, por 32% da produção total deste tipo de energia no mundo.

A França, por sua vez, é o maior produtor europeu e satisfaz mais de 70% de sua demanda doméstica de energia graças aos seus reatores nucleares, enquanto que a União Europeia está suprindo cerca de 35% da necessidade interna de energia com o seu parque gerador nuclear.

Diversos governos acreditam que os investimentos na ampliação internacional da energia nuclear represente uma alternativa às frequentes oscilações dos preços dos produtos energéticos e às incertezas envolvendo os combustíveis fósseis. Contudo, mesmo tratando-se, na maior parte dos casos, de um uso para fins pacíficos, os principais obstáculos à expansão do nuclear são a segurança das usinas, o armazenamento dos rejeitos radioativos, os elevados custos de construção e manutenção das centrais e, obviamente, a possível proliferação de armas nucleares.

Depois da catástrofe de Chernobyl que marcou para sempre a década de 1980, a palavra de ordem na maior parte dos países europeus é cautela. Nos anos 1990, os investimentos do velho continente em novas centrais nucleares diminuiram drasticamente, mas recentemente, as frequentes crises nos mercados de petróleo e gás colocaram novamente em discussão o futuro dos parques geradores da Europa.

A tendência, por enquanto, é prolongar a vida das usinas nucleares ou investir oficialmente na construção de novos parques geradores.

A Alemanha, por exemplo, possui algumas das maiores geradoras de nucleares do mundo.

Para financiar novos investimentos em energias renováveis e cumprir as metas de redução das emissões de dióxido de carbono, a chanceler Angela Merkel e a coalisão liderada pela União Democrata Cristã CDU/CSU e os liberais do FDP decidiram adiar o fechamento de suas centrais atômicas para 2040, descumprindo o compromisso público, proposto por Schroeder, que previa o encerramento das atividades das centrais nucleares até 2025. Em troca, o governo cobrará uma taxa das centrais nucleares para financiar a chamada “energia limpa”.

Com a nova medida, o governo alemão conquistou uma grande impopularidade e a acusação de ceder às pressões do lobby dos grandes grupos industriais. No último mês de abril, mais de 100.000 pessoas uniram-se em uma corrente humana e invadiram as ruas de Berlim para protestar contra o plano do governo.

A opinião pública exige que Angela Merkel atue com responsabilidade, lembrando a impotência das autoridades nacionais diante de tragédias como aquela da mina desativada de sal de Asse, na Baixa Saxônia, segunda maior região do país.

A primeira coisa que salta aos olhos ao visitar aquela localidade é uma imensa letra “A” colocada sobre a grama verde e,  aparentemente, inócua. “A” indica a palavra “Achtung” (Atenção) e indica que aquela área,  próxima do distrito de Wolfenbüttel, pode estar contaminada por césio 137.

Entre 1967 e  1978, cerca de 126 mil barris de resíduos radioativos de baixa ou média radioatividade foram armazenados em uma na mina a mais de 625 metros de profundidade. Porém, há anos Asse é considerada uma verdadeira bomba relógio porque, diariamente, diversos litros de água salina infiltram o local, que ainda corre sério risco de desabamento.

O Departamento Federal de Proteção contra a Radioatividade identificou no local a presença de uma solução salina contaminada com césio 137 e trício e, nos últimos anos, as autoridades reabriram o depósito para recuperar os barris de lixo radioativo do local antes que eles venham a contaminar definitivamente os lençóis freáticos. A delicada operação, custará pelo menos, 2 bilhões de euros.

 

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Comentários  

# Angélica
Infelizmente, em vez de incentivar o uso de energias renovaveis, muitos governos preferem investir no nuclear. Os efeitos dessa corrida silenciosa sao pouco relatados pela midia e a populaçao ainda nao se deu conta de que quem pagara o prejuizo serao os nossos filhos, as geraçoes futuras.
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