Grafite, arte e educação
Grafite, arte e educação
Em sua primeira exposição individual, o artista plástico e grafiteiro Gejo leva para dentro da galeria a contestação do grafite e a vontade de democratizar a arte.
Por Camila Martins
Pixador que se interessou pelo grafite e agora entra no circuito das galerias de arte de São Paulo, Gejo encara com naturalidade esse processo de migração e de reconhecimento do seu trabalho. Em cartaz desde novembro de 2010 com a exposição “AG&DG”, na galeria Mônica Filgueiras, o que se pode observar é que as obras ali apresentadas, como o painel em que dois aviões se chocam contra o logo do Bradesco, preservam a rebeldia trazida das ruas e se desdobram em suportes e acabamentos mais elaborados.
“Não vou perder a minha história na rua só porque eu estou indo para a galeria. Pelo contrário, vi que posso fazer ainda mais coisa e ter mais visibilidade. Isso é uma conquista de todas as pessoas que fazem grafite porque realmente gostam e acreditam nisso, diferente de um monte de gente que se aproveitou da estética para ganhar dinheiro”, garante.
Nascido em Seabra, no sertão da Bahia - lugar em que a luz elétrica chegou só em 2007, Gejo veio para São Paulo com a família quando tinha apenas três anos. Filho de pai pedreiro e mãe dona de casa, cresceu junto dos 7 irmãos na periferia do bairro do Butantã, na Zona Oeste. Mais um exemplo de jovem que se envolveu nas manifestações culturais do local em que vivia, Gejo soma à sua história a versatilidade artística e, depois de mais de 20 anos pintando nas ruas, a entrada no universo, um tanto perverso, do mercado da arte. No entanto, de toda a sua trajetória, do que fala com mais orgulho é de seu papel como arteducador, das aulas que dá na Fundação Casa e do Sítio do Tatu Amarelo, centro cultural que está criando na sua cidade natal.
Com influência da pixação, do grafite, do hip hop e da arte popular, define seu trabalho como crossover, ou seja, uma mistura de estilos e com conteúdo crítico, “falo de coisas que estão me atingindo e que atingem outras pessoas também, assim como o rapper que tenta falar o que o povo sente. Por isso, critico bancos que exploram os cidadãos com seus juros, os políticos que escondem dinheiro na cueca, empresas que estão prejudicando o meio ambiente. Estou exercitando meu lado maldito”, diz, brincando com o apelido, o Maldito, que é conhecido nas ruas.
A loucura das ruas
O ano era 1986 e o break era febre entre os jovens, “meu irmão mais velho dançava e eu comecei a me interessar também. Rolavam competições entre as escolas, era o maior barato”, recorda o grafiteiro. Além disso, outra coisa chamava a atenção do garoto: os desenhos e letras que via estampando os muros da cidade. Fascinado pelos grafismos, começou a treinar algumas tags (como são chamadas as letras do pixo) em folhas de papel, até que, com 14 anos, junto com os outros meninos da rua, formou a Caveiras da Noite, uma gangue de pixação.
Para ler a reportagem completa e outras matérias confira edição de janeiro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.



