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Os desafios do governo Dilma

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Os desafios do governo Dilma

Por João Pedro Stedile

Passadas as festas de final ano, findo os balanços e avaliações do que foi 2010, agora é necessário refletir sobre 2011 e os próximos anos. O principal fato político é o novo governo  federal e alguns governadores estaduais, que podem significar mudanças nas políticas públicas e na correlação de forças entre capital e trabalho.

A montagem do ministério não trouxe grandes novidades. Consolidou a aliança eleitoral que ganhou as eleições. Mas há uma presença mais clara das ideias desenvolvimentistas no núcleo das políticas econômicas. Há uma presença mais progressista nos ministérios sociais.  Já os ministérios que tem muita verba e obra, continuarão nas mãos do PMDB para alimentar nossa lumpem-burguesia que vive mamando nas tetas do Estado.

O governo Dilma vai enfrentar grandes desafios no próximo período, cuja solução darão a marca a esse governo. No governo Lula foi possível uma política econômica e social de compensação, em que todas as classes ganharam. Ganhou mais o capital financeiro, mas ganharam a burguesia industrial, a classe média, os trabalhadores e os mais pobres. Daí o incontestável grau de apoio da maioria da população. Foi importante ter bolsa família, prouni, reuni, aumento do salário mínimo, como medidas emergenciais. Eles são insuficientes para  resolver os graves problemas estruturais que afetam grande parte da classe trabalhadora.

Agora, é necessário enfrentar o problema da educação, marcado por 14 milhões de analfabetos, e pelo acesso à universidade de apenas 10% de nossos jovens, a maioria ainda em faculdades privadas, verdadeiras lojas de diplomas. O grave problema do déficit das 10 milhões de moradias que faltam. Os graves problemas da crise climática, que todos os meses açoitam algum setor de nossa sociedade. A questão da reforma agrária e do modelo de produção agrícola baseado no monocultivo e no uso abusivo de venenos agrícolas, que estão envenenando nossa população. E, finalmente, a valorização real dos salários médios. O salário mínimo não pode mais estar engessado pela cesta básica ou pelo orçamento da previprevidência. Nada justifica que tenhamos um salário mínimo de apenas 550 reais, enquanto, por exemplo, o governo Requião determinou um salário mínimo regional de 740 reais no Paraná.

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