Camões e Cervantes pra que?
FALAR BRASILEIRO:
Camões e Cervantes pra que?
Por Marcos Bagno
Portugal tem um território pequeno (menor do que Santa Catarina, que é um dos menores estados brasileiros) e uma população de pouco mais de 10 milhões (metade do número de habitantes da região metropolitana de São Paulo). Não tem nenhuma importância estratégica na geopolítica ou na economia mundiais. Pelo contrário, encabeça a triste sigla dos PIIGS, países que se encontram numa profunda crise econômica, financeira e, por conseguinte, social.
A Espanha tem uma área menor que a da Bahia ou a de Minas Gerais e uma população de 46 milhões de habitantes (os falantes de espanhol nos E.U.A. somam mais de 55 milhões). Já esteve no topo das maiores economias europeias, mas atualmente é o S da mesma sigla PIIGS.
Mais de 90% dos falantes de português vivem no Brasil. Dos 440 milhões de falantes do espanhol, mais de 400 vivem na América Latina, sendo que os mexicanos correspondem sozinhos a um quarto de todos os hispanófonos do mundo.
No entanto, Portugal e Espanha, tão minoritários no uso das línguas que trazem seus nomes, dispõem de uma política linguística muito mais bem planejada e agressiva do que os demais países onde as línguas são faladas por muitíssimo mais gente. Portugal tem o Instituto Camões e a Espanha, o Instituto Cervantes. Na Universidade Autônoma Nacional do México (UNAM) está o maior número de aprendizes de português como língua estrangeira no mundo. Seria óbvio imaginar que esses mexicanos têm muito mais interesse no Brasil, em sua cultura e em sua economia do que em Portugal. Contudo, o Instituto Camões ocupa todo um andar da UNAM e oferece material didático, formação de professores e bolsas de estudos para quem quiser ir a Portugal se aperfeiçoar.
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