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Revoluções, guerras e o Brasil

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Países vivem nova corrida armamentista e crescente militarização

Por Pedro Lira

O presidente dos EUA Barack Obama realizou cortes no orçamento militar dos EUA estipulados em um trilhão de dólares, o equivalente a metade de nosso PIB, de acordo com o plano estes gastos serão cortados em dez anos. Mas não devemos nos enganar e acreditar que a natureza imperialista do EUA mudou. Durante 10 anos esse orçamento cresceu devido a demanda das guerras no Iraque e Afeganistão, uma guerra próxima contra o Irã poderá relativizar ou até mesmo reverter esse corte orçamentário. Os EUA investem bilhões por ano em armamento e tecnologias militares e nos últimos anos países como a China, Rússia, Venezuela entre outros aumentaram seus investimentos militares. O mundo vive uma espécie de nova corrida armamentista alimentada pelas ações do Império e pelos temores de uma possível guerra mundial gestada pela rescessão econômica. Entretanto o Brasil parece não se preocupar com essa crescente militarização do mundo. Temos como exemplo a novela dos caças da FAB.

"Comparado com os EUA nossa frota é risível; os EUA possuem 2.600 aviões de última geração em operação e, em um esforço de guerra, eles podem triplicar sua frota em poucos anos através de seu complexo industrial militar"

Em 2008, no início da crise econômica mundial o Brasil tinha 171 pretensos aviões de combate. Essa frota diminuta dava um aparelho para cada 50 mil quilômetros quadrados, diluído em nosso território gigantesco. Os anos passam e a novela segue em direção ao nada. Um acordo de compra que prevê a aquisição de 36 míseras unidades de novos modelos está em negociação há quase 10 anos. Mesmo adquirindo esses caças ainda teríamos uma força aérea tão ridícula quanto o 'Incrível Exército de Brancaleone'.

Risível

Comparado com os EUA nossa frota é risível; os EUA possuem 2.600 aviões de última geração em operação e, em um esforço de guerra, eles podem triplicar sua frota em poucos anos através de seu complexo industrial militar. Que a construção de novas fragatas pela Marinha tenha sido privilegiada nesses últimos anos, devidamente impulsionada pelas nossas riquezas marítimas, em especial o pré-sal, nossas maiores jazidas de petróleo até agora descobertas. Mas a guerra moderna se ganha pelo alto, logo uma força aérea forte é imprescindível.

Tradição policialesca

Temos uma tradição de guerra fraca e uma tradição policialesca forte, as longas ditaduras e o isolamento físico do Brasil contribuíram para essa formação. A política que define as prioridades de defesa. Entretanto diante dos últimos acontecimentos mundiais; recessão, revoluções, guerras, e o acelerado avanço tecnológico, melhor seria por as barbas de molho. Vencer o Brasil em uma guerra pode ser tentador para um super exército de rapina. Um país grande, rico e fraco - pois que desarmado- pode alimentar desejos do Império que ronda hoje o oriente médio. Afeganistão, Iraque, Líbia, já sentiram o furor dos caças de supremacia aérea de quartas e quintas gerações do EUA. Hoje nosso isolamento físico é relativo ante os desenvolvimentos da indústria e tecnologia. Terminada a conquista do oriente - médio, quem seriam os próximos?A bem armada China ou a débil América - latina?

A construção de um complexo industrial militar brasileiro, submetidos somente aos interesses da democracia, do governo federal, militares, e ao parlamento, deve passar por um urgente debate com a sociedade civil. Cientistas, jornalistas, advogados, intelectuais devem pautar o debate com ideias-propostas, analisando quais são as necessidades para defesa do país, independentemente dos interesses do mercado internacional, ou mesmo limitar o assunto ingenuamente a uma questão militar. Soberania é um problema social e interessa a todos cidadãos.
Essa necessidade de defesa tem um contexto bem claro, o Brasil é a potência ascendente da América do Sul, nossos interesses de defesa devem ser integrados aos interesses de defesa da América do Sul e de suas democracias, independentemente dos nossos irmãos ricos do Norte, com seus organismos internacionais, ONU, OTAN, e FMI. Por isso a supremacia aérea é tão importante para a defesa do Brasil e do continente.

Desafios

Para isso deve-se afastar o olhar das estratégias do século XX e enxergar que tipo de desafios poderíamos enfrentar no século XXI. Um olhar para o passado que integre o presente expressa bem os desafios a serem enfrentados. Quais seriam os melhores recursos e estratégias para defesa? O sucateamento das nossas forças armadas mostra um estado que nunca precisou de fato enfrentar uma grande guerra e que sempre usou suas forças armadas para reprimir um povo desarmado, ou para auxiliar as forças policiais no combate ao crime. Enfrentar traficantes em um morro é bem diferente de enfrentar um exército bem organizado dentro dos termos dos últimos avanços tecnológicos atuais.

"Creio que uma democracia precise tanto de cidadão engajados no processo político como de boas forças armadas, com soldado politizados, bem educados, esclarecidos e bem armados e cidadãos guerreiros, bem engajados na vida social, que não dependam de forças policiais, de psiquiatras e figuras paternalistas para garantir a plenitude de suas liberdades, de sua cidadania"

Foram os contextos internacionais que definiram nossa estratégia de armamento e defesa. Após a segunda grande guerra possuíamos uma versão diminuta do exército norte americano. Durante o regime militar alas nacionalistas envolveram o país no contexto da guerra fria, tentou–se criar uma indústria mais ou menos autônoma de foguetes , aviões e chegaram a criar um programa nuclear tendo sonhado com os poderes da bomba atômica, mas devido ao seu mal governo os militares antes do fim da guerra fria foram expulsos do poder pela ação do povo.

Exército

Fundou-se então a democracia em meio a crises econômicas internas, mas ao longo das décadas firma-se nosso projeto democrático e a economia nacional se consolida. Merecidamente os militares foram postos de lado e cobrado pelo ônus dos seus crimes cometidos durante o regime. O governo militar foi fundamentado na tortura, em atos inconstitucionais, em todo tipo de assassínios e arbítrios. Ora mas a força de um exército reside no povo, e a democracia mostra força com o desenvolvimento político econômico da ultima década. Agora precisamos pensar o que fazer com esse desenvolvimento enquanto povos do continente sul-americano e creio que uma democracia precise tanto de cidadão engajados no processo político como de boas forças armadas, com soldado politizados, bem educados, esclarecidos e bem armados e cidadãos guerreiros, bem engajados na vida social, que não dependam de forças policiais, de psiquiatras e figuras paternalistas para garantir a plenitude de suas liberdades, de sua cidadania.

Pensar que tipo de forças armadas queremos para o Brasil e América do Sul é de grande importância em um contexto internacional turbulento para irmos em direção de uma democracia ampla, participativa e direta. Aumentando os fóruns de debate, estudo e protestos, pensando saídas conjuntas enquanto sociedades, coletividades, identidades e indivíduos livres.

 

Pedro Lira é cientista social pela Unesp de Araraquara, professor e mestrando

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Comentários  

# Aurélio
Acredito que o Pedro tem razão em suas colocações, infelismente vivemos em um mundo onde um quer devorar o outro e temos que investir em uma força armada mais polpuda pra que não cresçam mais os olhos sobre nossa nação.
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# magnus
A suposta política americana em relação ao ao terceiro mundo é absolutamente intragável. As grandes corporações dominam qualquer estado mundial e estamos de mãos atadas a elas.
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# magnus
Pois é, passados milhares de anos de civilização e o homem ainda continua com um espírito belicista.Tecnologia temos de sobra, mas a maioria das chamadas potências carecem de consciência.
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# Gustavo
Temos tecnologia de sobra? Ou estamos totalmente defasados? E se pretendermos nos modernizar, será que os EUA não perceberão? Ou tentarão um golpe, operado pela CIA, como tentaram na Venezuela?
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# Naiane
Concordo com você Gustavo mesmo que o Brasil "acorde" com certeza os EUA vão fazer de tudo para que o Brasil não consiga se estabelecer belicamente
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# Naiara
E enquanto nós não nos preparamos de verdade, enquanto povo, estaremos sempre suscetíveis! queria ver se cada um aqui nesse país soubesse manusear uma arma para defesa, quem ia facilmente nos subjugar?? ou em países onde isso é uma realidade, quem se atreve...? o que também falta é uma educação do povo para entender os movimentos imperalistas empreendidos pelos países dominantes, isso ja ajudaria muito!
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# Tatiana
Somos um pais absolutamente rico.Pedro você tem razão temos que lutar pelo que é nosso e não nos entregar de mão beijadas a esses países de alta tecnologia.
Parece que o Brasíl gosta de se sentir um fracassado.

Em frente Brasil seja forte se alimente com suas armas crie e se fortaleça e seja um vencedor.
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# João
Um dos pontos principais que o professor Pedro levanta é a necessidade de investir na área militar para assegurar o avanço do Brasil frente à outras nações, especialmente o imperialismo norte americano.

O problema é que essa análise parte de um princípio equivocado, pois não compreende o papel social e histórico que a instituição do exército possuí não somente no Brasil. Um papel classista, que sempre esteve ao lado do poder, do dinheiro, da autoridade. Esmagando o povo, o exército e as demais forças armadas sempre cumpriram seu papel.

Quando os tenentes amigos de Prestes tomaram o Forte em revolta contra o exército, foram massacrados pelo exército. Mas a maioria dos que sobreviveram apoiaram Getúlio e suas atrocidades depois. Os "esclarecidos" militares.

Aumentar o investimento militar com a ilusão de gerar mais espaços de democracia direta é uma contradição no seu núcleo. O exército é anti-democrático. Prova disso é que ele não se submete aos poderes a que todo cidadão deve. Ou, para ilustrar melhor o que quero dizer, observe-se o desenrolar dos acontecimentos no mundo árabe.

Advinha qual foi uma das atitudes de Kadafi para tentar dispersar as manifestações antes de sua queda? Enviou aviões darem razantes na manifestação para intimidar as pessoas. Ora, uma função muito interessante que o Brasil com certeza nunca irá usar quando a crise aqui chegar.

Ou talvez use, mas com menos aviões e mais gente se manifestando, os razantes diminuirão e o povo terá mais chances de de fato tomar o poder em suas mãos e fazer História nesse país. Sem a necessidade de um bomba nuclear.
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# marco sanches
A tese defendida pelo ilustre cientista social flerta com a idade da pedra. Recomendo o site: www.sipri.org.com para atualização dos números. A India, não citada, 1 bilhão de habitantes, é hoje o maior comprador de armas do mundo. Os EUA investem anualmente em armamentos e equipamentos bélicos, 10 vezes mais que o segundo colocado, China. adotar a mesma estratégia, demanda recursos que o Brasil não tem, além de adiar sine dia o resgate da dívida social. Mais, incendiaria a indústria armamentista, dominada pelos cinco países que tem cadeira cativa no conselho de insegurança da ONU.
Sem esquecer, que diante da bomba atômica, armas convencionais e mesmo a festejada força aérea, tornam-se brinquedos de criança.
Dito isto, afirmo que os medíocres líderes mundiais atuais não estão preparados para a grande agenda: direitos humanos e meio ambiente, caminho irreversível para a paz mundial. Este é o caminho que o meu Brasil deve trilhar. Já demonstramos que somos capazes de viver e respeitar as diferenças; possuimos tenacidade; somos um povo capaz criar e produzir tecnologia de ponta; temos as terras mais férteis do mundo - extensão e qualidade - energia renovável; energias alternativas ao petróleo; reservas astronômicas de petróleo e gás, ÁGUA(maior ativo); fauna e flora espetaculares; e por aí vai...
O desafio interno é:
1) A depuração da classe política, com o povo impondo transparência ao erário público e enfrentamento da impunidade que campeia com o aval solene do judiciário.
2) A revisão do passivo ditatorial com a punição dos que mataram, torturaram e estupraram, vestidos de terno e farda.
No campo externo, investir na paz, mostrando um país que é muito mais do que samba, carnaval e futebol.
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