Grécia: Só pode adoecer quem tem dinheiro
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- Publicado em Terça, 19 Junho 2012 10:52
Filas, consultas pagas e profissionais sobrecarregados é o retrato da saúde na Grécia
Por Gabriela Moncau
Enviada Especial de Caros Amigos
ATENAS - Kostas não podia falar. Seus lábios estavam cheios de feridas e a diabete piorou sua saúde nas últimas semanas. Ele e sua esposa, Maria, eram um dos muitos que enchiam a fila de espera da seção de emergência do hospital Laiko no bairro de Goude, em Atenas, e aguardavam um atendimento havia 5 horas. Ainda assim, se comunicava por escrito para explicar o que pensa sobre o sistema de saúde de seu país. "Nunca houve cultura de transparência em nossa estrutura institucional de saúde. Passados esses últimos dois anos em que a crise apertou aqui, os gregos estão sofrendo ainda mais", comentou, por escrito. "Há de se considerar que temos muitos médicos e hospitais. O problema não é a falta de profissionais para atender a demanda. O problema principal é a corrupção de todo o sistema, o esquema que existe entre as empresas de distribuição de remédios, os hospitais e, principalmente o Estado", afirma.
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"O que acontece é que o Estado sempre comprou os remédios e os materiais necessários para o atendimento público de
saúde por um preço muito mais caro do que deveria, esse dinheiro sujo é distribuído entre políticos corruptos, empresas farmacêuticas, médicos e donos de hospitais", completou Maria. "Mas agora esse sistema colapsou", sublinhou Kostas. "O Estado está sem dinheiro ou gasta todo o seu dinheiro para impedir que os bancos quebrem de vez, e as empresas de distribuição de remédios não estão recebendo. Os hospitais se veem sem materiais básicos, sem gazes, sem seringas, sem remédios, a situação está bastante trágica", disse Maria, de 39 anos.
A maioria dos que ali esperavam ou passavam carregados em macas era idosos. Desde que, como parte das medidas de austeridade, o governo cortou 42% do gasto em IKA, o convênio público que garantia assistência médica aos aposentados, para a maioria deles não resta alternativa que não seja lotar as filas dos hospitais públicos. É o caso da mãe de Labros, que já muito velhinha caiu e bateu a cabeça e aguardava junto com o filho que um médico examinasse o roxo em sua testa. "Os médicos continuam trabalhando muito, mesmo recebendo 20% menos. O problema da Grécia não é econômico, isso é só a consequência. Gastaram dinheiro em construção de estradas, em Olimpíadas, em coisas desse tipo, e não com o bem comum da população. O problema é o que os donos do sistema definem como prioridade", opinou Labros, de 48 anos.
Saúde Pública
Além da dificuldade enfrentada pelos aposentados, os gregos de modo geral que se davam ao luxo de pagar por atendimento médico privado já não dão mais conta, de modo que o número de pacientes nos hospitais públicos subiu 30% nos últimos três anos. Mas o governo pensou num jeito de diminuir a lotação nos hospitais. Desde o ano passado cada paciente tem que pagar 5 euros por consulta, preço significativo ao se considerar que de acordo com dados da própria União Europeia um a cada quatro gregos está vivendo abaixo da linha de pobreza relativa.
Os recursos disponibilizados pelo Estado para a saúde reduziram nos últimos dois anos em 36% e a pressão do Ministério da Saúde para que as administrações hospitalares cortem ainda mais seus custos operacionais com base nas exigências da troika é permanente. O hospital Ahepa, um dos mais importantes de Atenas, recebia em 2010 um orçamento de 92 milhões de euros do governo. Esse ano, terão que arranjar um jeito de sobreviver com apenas 42 milhões de euros. Se o orçamento público para a saúde despenca, o que vem aumentando é a demanda por remédios antidepressivos: nos últimos 5 anos o uso de remédios contra a depressão aumentou 35%. Somente em 2011 a tentativa de suicídio saltou 40%.
Nikaia é o maior hospital de Atenas, cobre uma área onde vivem aproximadamente 1 milhão de pessoas e realiza cerca de 15 mil cirurgias por ano. Atualmente, no entanto, a falta de profissionais faz com que haja dias em que uma enfermeira tem de tratar de até 25 pacientes simultaneamente. Só há 650 leitos. "Percebo que a dedicação dos médicos ainda é alta, se esforçam bastante", salientou Nikko, de 39 anos, que levava sua mãe de 80 anos para um exame no hospital Laiko: "Mas é evidente que estão mais cansados, a demanda tem aumentado e claro, o salário, só diminuído".
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Comentários
O governo de meu estado já apela a financiamento para pagar o 13ºº. Aos poucos, a crise do Real se torna
cada vez mais iminente.SEREMO S A PRÓXIMA BOLA DA VEZ?
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