Pressionados, gregos vão às urnas
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- Publicado em Domingo, 17 Junho 2012 11:13
Por Caio Zinet e Gabriela Moncau
Enviados Especiais de Caros Amigos
ATENAS - "Depois das eleições tudo está em aberto, menos o meu comércio". "Recessão de 6,5% no PIB no primeiro trimestre". "Por Grécia! As eleições que vão definir o amanhã e o futuro". "Mandato de esperança e responsabilidade". Assim estampam as manchetes dos principais jornais gregos em uma banca do bairro de Kukaki, ao lado de um dos 20 mil colégios eleitorais do país.
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São 9.850.802 de pessoas convocadas a comparecer às urnas para escolher quais dos 21 partidos (que vão da direita neonazista à chamada esquerda radical) deverão compor o novo parlamento e o executivo grego. O alto número de votantes frente aos 11 milhões que constituem a população do pequeno país do mediterrâneo se explica por contabilizar os muitos imigrantes gregos que já não mais vivem onde nasceram.
Um sentimento une os gregos nessas eleições: a situação atual não pode perdurar, pois a população mais pobre não aguenta 
mais viver com os efeitos da crise . A importância das eleições e o futuro do país com um novo governo, no entanto, estão longes de serem consenso. "Essas eleições são muito importantes porque definem o futuro da Grécia, podem representar uma mudança nas condições econômicas, mas por outro lado, as coisas nunca mudam com nossos governantes. Espero muito que hajam mudanças", afirmou o confuso Yorgos, de 30 anos, pouco depois de sair da urna.
Solidariedade e impacto internacional
"Acredito que Alexis Tsipras irá mudar a Grécia caso ganhe, mas o processo não será nem rápido nem fácil. Esperamos também muita solidariedade internacional, isso será fundamental para a Syriza. É evidente que o que está se passando aqui não diz respeito apenas a Grécia", opinou Zisis Novis, de 56 anos, observando a quantidade de imprensa internacional no colégio eleitoral. "Nas eleições dos anos anteriores não víamos nem a mídia local", sorriu. O resultado das urnas deve ser ponto de pauta da cúpula dos donos do mundo no G20, marcado para segunda e terça-feira em Los Cabos, no México.
Para Zisis, a Grécia está sendo um "experimento": "Querem saber até que ponto conseguem pisotear, espremer, sugar o povo. Como se fossemos um rato de laboratório. Temos que ver se o rato consegue escapar e reverter o processo a que está sendo submetido, ou se permanecerá sob o controle dos que se beneficiam de sua exploração", salientou. "Os bancos, as grandes empresas e a mídia internacional e nacional estão lutando contra o estabelecimento de um governo popular, fazendo uma campanha de terror. Só falta dizerem que caso a Syriza ganhe, cairá um meteoro sobre nossas cabeças, ou seremos engolidos por alienígenas", brincou.
Sem Salvação
Eva, uma jovem mulher de 19 anos, não tem expectativa com o pleito. "De jeito nenhum. Não podemos ser salvos nem nos salvar. Talvez em 5 ou 10 anos possamos nos recuperar, mas agora não". "As eleições são muito importantes porque precisamos de um governo constituído que possa representar a Grécia e buscar soluções para a crise. Isso só pode ser feito se todos os partidos trabalharem juntos, se estiverem separados não há saída possível", afirmou Vangelis, de 41 anos, enquanto segurava sua filha de cerca de dois anos, que impaciente tentava agarrar uma caneta.
"As eleições não irão mudar nada na Grécia, por isso essas eleições não tem a menor importância", afirmou Yordanis de 35 anos. "Há outras maneiras de conquistarmos transformações, claro. Como? Com uma revolução. Só assim", completou. A falta de crença nos políticos e no Estado são imensas, principalmente na juventude. Espera-se, no entanto, que a alta taxa de 35% de abstenção que houve em 6 de maio seja menor hoje.
Recolhimento das urnas
O recolhimento dos votos se dará até às 19h e algumas horas depois as estimativas das pesquisas de boca de urna já começam a aparecer. O resultado final será divulgado por volta das 4h de Atenas (22h de Brasília).
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