Política
Fernando Lugo joga a toalha
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- Publicado em Sexta, 03 Agosto 2012 12:26
Mesmo com ação correndo na Justiça, ex-presidente não alimenta esperança
Por Alexandre Bazzan
Caros Amigos
“Eu acredito em Deus e em milagres, mas nesse milagre eu não acredito”. É dessa forma que Fernando Lugo resume a falta de convicção que tem na possibilidade de voltar à presidência do Paraguai por meios jurídicos ou políticos - uma ação contra o golpe foi aceita na Justiça, mas o ex-presidente não tem esperança.
Ele diz que pode ainda se candidatar a presidente nas eleições de 2013, mas o mais provável é que ele mire o cargo de senador. O ex-presidente está no Brasil para tratamento médico e conversou com a imprensa.
Lugo sofreu impeachment no último 22 de junho, sem a devida chance de se defender. Foi destituído de seu cargo em aproximadamente 30 horas de processo, acusado de má administração, principalmente no caso do confronto que deixou 11 camponeses e 6 policiais mortos na desocupação de uma área de propriedade de um ex-senador do Partido Colorado, que esteve no cargo máximo paraguaio por 61 anos, antes de Lugo ser eleito.
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O ex-presidente explica que na esfera política existem várias forças externas manipulando o que acontece. “A classe política atua como braço largo dos interesses econômicos”, afirma ele. No Paraguai especificamente, ele diz que essas forças se dividem entre o narcotráfico, o agronegócio e as multinacionais.
Ele afirma que algumas ações de seu governo foram contra os interesses dessas forças obscuras, como a luta pela recuperação de sementes nativas em detrimento dos transgênicos, a contestação da dívida externa do país, a qual ele diz ser ilegítima e arrocho nas negociações de implantação de uma fábrica de alumínio multinacional no país. "O alumínio está no Brasil, o mercado está no Brasil", explica ele sobre o projeto da multinacional.

Lugo fala sobre duas possibilidades de continuidade na carreira política. A primeira seria candidatar-se a senador e a segunda tentar uma nova eleição a presidente, o que é pouco provável uma vez que a própria Frente Guasu, da qual ele faz parte, já aponta alguns prováveis candidatos, entre eles a ex-ministra da Saúde, Esperanza Martinez, e o jornalista Mário Ferreiro. O próprio Partido Liberal Radical Autêntico - partido do atual presidente Federico Franco e que junto com o Partido Colorado articulou o impeachment - rachou após o golpe e já se fala de Rafaela de Laíno, ex-PLRA para vice da próxima chapa da Frente Guasu.
O porquê de não haver revide
Logo após a destituição de Lugo, camadas populares paraguaias demonstraram todo seu apoio ao presidente e ao retorno imediato ao cargo de direito. Ele diz que a luta política era inviável, estava ilhado uma vez que era minoria no Congresso, a votação massiva a favor de seu impeachment era prova disso. Já a luta armada não lhe parecia adequada, não queria colocar tanques na rua em um estado democrático de direito e tampouco derramar sangue inocente. Assim ele justifica sua passividade diante da decisão parlamentar.
Paraguai Ilhado
Com o golpe vários países retiraram seus embaixadores do Paraguai como uma forma de retaliação
diplomática. Os paraguaios foram afastados do Mercosul e da Unasul até as próximas eleições em 2013. Hugo Chávez declarou que a Venezuela cortaria o envio de petróleo ao país e a comunidade internacional, de modo geral, não viu com bons olhos o processo de impeachment tão veloz. A própria direita interna começa a sentir os sintomas do golpe. O Paraguai depende muito do comércio externo e após a posse de Franco o país ficou ilhado politicamente, o que deve afetar negativamente a economia interna. Sobre isso, ele brinca "Quantos presidentes enviaram cumprimentos a Federico Franco? Nenhum."
Fernando Lugo não compara o golpe paraguaio ao de Honduras, pois ele acredita que em sua terra as articulações foram muito mais sutis, mas alerta: “Todos os países têm que ficar atentos. A direita mundial não tem limites” e cita uma notícia que recebera de que a direita está reclamando que Cuba está demorando para ter sua 'Primavera Árabe'.
O presidente destituído alertou ainda que é preciso estar atento às novas formas de golpe e prevê que possíveis tentativas venham a acontecer por domínio de reservas naturais energéticas, em boa medida patrocinados por multinacionais e seus governos apoiadores.
Mercosul
A recente entrada da Venezuela no Mercosul foi muito criticada pelo atual governo paraguaio. Lugo, entretanto, não vê com maus olhos o novo integrante do Mercado Comum do Sul. Para ele, a aceitação é legítima, uma vez que todos os membros foram a favor nessa decisão - menos o Paraguai, suspenso do bloco até abril de 2013. Além disso, a Venezuela é um dos principais produtores de petróleo do mundo e por isso, para Lugo é conveniente que se tenha essa potência energética junto ao grupo.



Comentários
O outro tipo de líder é aquele que faz aliança com o movimento popular, e não com a direita. Hugo Chávez é representativo dessa outra linhagem.
É fácil derrubar líderes como Lugo. Mas não é nada fácil derrubar líderes como Chávez. Os que tentaram tiveram que fugir para Miami.
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