Política
Paraguai: Brasil condena impeachment de Lugo
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- Publicado em Segunda, 25 Junho 2012 14:21
Lugo foi destituído na sexta (23) após processo relâmpago
Da Redação
O Paraguai foi suspenso do Mercosul até 2013 pelo que é considerado golpe contra o presidente Fernando Lugo, destituído do cargo na sexta-feira (23) em processo relâmpago de impeachment. A suspensão é devida à forma como o Congresso paraguaio conduziu o impeachment, em apenas 1 dia, e dando apenas 2 horas para a defesa de Lugo. A medida vale durante o período em que Franco ficar no poder - em abril há nova eleição para presidente.
A Unasul também prometeu tomar medidas contra o Paraguai, enquanto o Equador se negou a reconhecer o novo presidente.
Diplomacia
O governo brasileiro mantém cautela em relação ao novo governo paraguaio. Apesar da suspensão do Mercosul, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que o Brasil, assim como o Mercosul, não intervirão em assuntos internos do país - o assunto foi tratado em reunião a portas fechadas na manhã dessa segunda-feira (25) no Palácio do Plananto; de qualquer forma, o Brasil deve tomar uma posição em conjunto com a Argentina e Uruguai, conforme adiantou Garcia, mas afirmou que não reconhecerá um estado que desrespeita a ordem democrática.
Em nota oficial, o governo brasileiro já condenou o processo e a maneira como foi conduzido pelo Senado paraguaio.
Há dúvidas dos estados sobre a legalidade do impeachment, embora Lugo tenha acatado a decisão, também entrou na Justiça contra o processo de impeachment. O ex-presidente também formou um 'gabinete paralelo' que ele chamou de Gabinete da Restauração da Democracia. “Os ministros [do governo paralelo] se converterão em fiscais e vão monitorar todas as instâncias do governo [de Federico Franco]”, disse Lugo, em entrevista coletiva, concedida depois da primeira reunião do governo paralelo marcada para começar às 6h. Duas horas depois, Franco empossou os novos ministros do seu governo.
Apoio
Movimentos sociais paraguaios, como os sem terra, organizam manifestação em apoio a Lugo e prometem ficar em Assunção até que ele volte à presidência. Os movimentos planejam para esta semana marchas até a capital paraguaia.
Brasiguaios
Representantes da comunidade de brasiguaios, como são chamados os brasileiros que trabalham no Paraguai, principalmente nas áreas fronteiriças, enviaram carta à Dilma Rousseff pedindo que reconheça o novo presidente - são cerca de 350 mil brasiguaios.
O novo governo prometeu dar urgência nos assuntos referentes aos brasiguaios, que relatam perseguições e falta de apoio das autoridades paraguaias.
Em entrevista à Agência Brasil, Lugo disse que os brasiguaios têm todo o direito de pedir o reconhecimento do novo presidente, mas frisou que a agenda entre os dois países é bem maior que essa questão. "Esse não é o único interesse que há na agenda dos dois países", afirmou o ex-presidente.
O movimento de brasileiros no comércio de Ciudad Del Este, fronteira com Foz do Iguaçu (PR), caiu drasticamente nesta segunda-feira (25) em boa parte devido aos rumores de que a fronteira seria fechada.


