Mostra de cinema em SP expõe barbáries ambientais
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- Publicado em Terça, 13 Março 2012 13:52
Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental tem primeira edição nesse mês de março
Por Gabriela Moncau
Caros Amigos
“É importante observar como o cinema tem se preocupado com a questão [ambiental] já há bastante tempo, através de inúmeros registros e documentários sobre o assunto. A mostra exibirá obras realizadas a partir da década de 1950, que farão parte de um panorama histórico”, explica Chico Guariba, diretor e idealizador da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que terá sua primeira versão entre 15 e 22 de março em salas de cinema da capital paulista. Serão exibidos gratuitamente mais de 40 filmes, entre longas, médias e curtas metragens, divididos nos seguintes eixos temáticos: ativismo, povos e lugares, consumo, energia, água e mudanças climáticas, que contarão com debates e palestras. Haverá ainda um panorama histórico e uma mostra infantil.
Programação
A programação da mostra, abarcando ficção e documentário, será distribuída pelas salas de cinema Cine Livraria Cultura, Cine Sabesp e MIS. Entre os totalmente inéditos no Brasil, destacam-se o premiado “There once was an island”, (“Era uma vez uma ilha", em tradução literal) de Briar March, a respeito dos efeitos das mudanças climáticas em uma pequena comunidade da Polinésia (conjunto de pequenas ilhas próximas à Oceania) no Pacífico; o “Food, Inc.”, (“Comida, SA”, em tradução literal) de Robert Kenner sobre a indústria alimentícia estadunidense, e “Crude”, de Joe Berlinger, que narra a disputa entre um grupo de 30 mil indígenas contra a gigante petrolífera Chevron, na Floresta Amazônica equatoriana. Os índios alegam que as operações petrolíferas dizimaram parte de sua população e contaminaram a região depois de três décadas de despejo de milhões de galões de detritos tóxicos de petróleo.
'Ameaça Terrorista'

Outro filme bastante esperado para a mostra é o “If a tree falls: a story of earth liberation front”, ("Se uma árvore cai: a história da Frente de Libertação da Terra”, em tradução literal) de Marshall Curry e Sam Cullman, que concorreu ao Oscar desse ano. O longa tem como gancho a prisão, em dezembro de 2005, de Daniel McGowan e outros 13 militantes ambientalistas envolvidos com o grupo “Earth Liberation Front” (ELF), classificado pelo FBI como “a maior ameaça de terrorismo doméstico da América”. Defendendo o que chamam de “ecologia profunda”, empregam, de acordo com seu próprio site, “sabotagem econômica e táticas de guerrilha para acabar com a exploração e destruição do meio ambiente”, com técnicas conhecidas como “eco-sabotagem”, como as que praticaram nos EUA, incendiando grandes empresas e instituições governamentais. Contando a história do grupo e da atuação de McGowan a partir de entrevistas com membros do ELF, a polícia que os investigava, o cinegrafista que acompanhava suas ações, promotor público, entre outros, o documentário de Curry e Cullman aborda a temática da prisão política, do ativismo ambientalista, bem como o conceito de terrorismo.

Brasileiros
Quanto aos filmes brasileiros, temas como a usina de Belo Monte e a transposição do Rio São Francisco aparecem em “À margem do Xingu: vozes não consideradas”, de Damià Puig e “Sertão progresso”, de Cristian Cancino, respectivamente. “O veneno está na mesa”, o mais novo filme do documentarista Silvio Tendler que trata do emprego de agrotóxicos na agricultura também integra a programação. As lutas contra barragens nos rios não são exclusividade do Brasil e histórias desse movimento na China aparecem em “Waking the green tiger”, (“Acordando o tigre verde”, em tradução literal) de Gary Marcuse, que está com presença confirmada no debate da temática água da mostra.
Já o panorama histórico exibirá clássicos da cinematografia brasileira, como “Iracema, uma transa amazônica”, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, “Brasília, contradição de uma cidade nova”, de Joaquim Pedro Andrade, gravado em 1967, e o premiado curta-metragem “Ilha das flores", de Jorge Furtado, entre outros.
Diretor homenageado: Adrian Cowell
A primeira edição da mostra homenageará o cineasta Adrian Cowell, conhecido como o maior documentarista da destruição da Floresta Amazônica. Nascido em 1934, na China, Cowell começou a filmar o Brasil no final dos anos 1950. Participou de expedições com os irmãos Villas Boas antes mesmo da criação do Parque Indígena do Xingu e tornou-se amigo também de Apoena Meirelles, outro grande sertanista, em viagem à Rondônia, nas visitas aos indígenas uru-eu-wau-wau. Entre as filmagens que fez por cerca de 50 anos no Brasil, sua obra mais conhecida é “A década de destruição”, uma série de 11 filmes feitos ao longo de uma década.
Cowell estava às vésperas de uma viagem ao Brasil quando faleceu aos 77 anos, em outubro do ano passado. Deixou inacabado o filme “Killing for land” ("Matando pela terra", em tradução literal), a respeito da violência por disputa de território no Sul do Pará. Seu acervo de 7 toneladas de filme foi doado para a PUC-Goiás e está disponível para consultas.
Serviço
1ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental
Onde: Cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073), Cine Sabesp (R. Fradique Coutinho, 361) e MIS (Av. Europa, 158)
Quando: 15 a 22 de março
Quanto: gratuito


