Cotidiano
Corpo de gari morto na reação aos ataques do PCC é exumado
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- Publicado em Quarta, 13 Junho 2012 15:24
Edson Rogério foi uma das quase 500 vítimas em 8 dias em maio de 2006
Da Redação
Seis anos após o levante do PCC e a reação das forças de segurança paulista, foi exumado nesta quarta-feira (13) o corpo do gari Edson Rogério da Silva dos Santos, morto a tiros em Santos, no litoral, na noite dos ataques, 15 de maio. O objetivo é confrontar projéteis que podem estar no corpo dele com outros projéteis disparados da arma de um policial de Cubatão. A suspeita é de que o gari foi morto por policiais que atuam em grupos de extermínio e se aproveitaram da situação de caos social. Quase 500 pessoas foram mortas durante os 8 dias que se seguiram aos ataques do PCC.
Em novembro de 2011, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o Estado a indenizar a família de Edson Rogério em R$ 165 mil. A decisão foi considerada histórica pelo movimento Mães de Maio, já que a maioria das demais mortes nunca foram investigadas, nem seus autores responsabilizados.
Leia abaixo manifesto da organização Mães de Maio
Por Justiça e Liberdade
Assim como aconteceu durante a Ditadura Civil-Militar brasileira, e tantas outros episódios violentos cometidos pelo Estado, os Crimes de Maio de 2006 cometidos por agentes policiais também permanecem impunes, nesta tal democracia. Resultado: a violência policial de lá pra cá tem se intensificado.
Desde o nosso surgimento, conseguimos dar alguns pequenos passos. E, talvez, o principal deles tenha sido justamente dar o verdadeiro nome aquilo que a grande imprensa e setores da elite brasileira insistiam em simplesmente ocultar.
Rumo ao 6º aniversário dos Crimes de Maio de 2006, é preciso urgentemente dar muitos passos, concretos: superar novas barreiras simbólicas, políticas e jurídicas. Uma sociedade realmente democrática não se constrói sem encarar todo o seu Passado, sem assimilar toda sua Verdade Histórica. Sabemos que no Brasil há uma blindagem pesada feita pelas elites civis e militares para isto não acontecer. Entretanto, diante de todo este poder opressivo imposto pelo dinheiro, pelas mídias e pelas armas, nós não nos intimidamos!
Federalização e Desarquivamento
Uma das principais bandeiras do nosso movimento é o Desarquivamento e a Federalização, o devido Julgamento e a Punição dos responsáveis pelos Crimes de Maio de 2006 e de Abril de 2010 – cujas investigações, todas, foram simplesmente arquivadas. Assim, nossa luta se insere numa longa tradição de resistência dos oprimidos e oprimidas deste país, com os quais nos solidarizamos.


