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José Arbex: Comissão da Verdade nasce derrotada
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- Publicado em Quinta, 21 Junho 2012 15:37
CRIMES DA DITADURA
COMISSÃO DA VERDADE NASCE DERROTADA
Por José Arbex Jr.
A Comissão da Verdade nasceu derrotada. Nasceu derrotada por ser fruto da conciliação. É fruto da conciliação porque as classes dominantes no Brasil controlam completamente as regras do jogo e não suportam a verdade. E não suportam a verdade porque se a verdade aparecesse, elas, as classes dominantes, teriam que prestar contas de um passado encharcado de sangue.
A Comissão da Verdade nasceu derrotada, e isso nada tem que ver com os seus integrantes, entre os quais há pessoas honradas, progressistas e honestas. Ela nasceu derrotada porque a condição para o seu nascimento, independente de quem a compõe, foi a submissão à mordaça, a aceitação dos limites impostos pelas classes dominantes, a recusa à ruptura de fato com o passado. A exigência do respeito absoluto à Lei da Anistia de 1979, imposta pelos militares que apenas aparentemente deixaram o poder, é o epitáfio da Comissão da Verdade. É a demonstração de que, mais uma vez, o passado, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”.
A presidente Dilma Rousseff chegou a chorar, emocionada, ao afirmar, durante a cerimônia de posse da comissão, que “o Brasil merece a verdade”, e que “se existem pais sem túmulos, e se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz”. Não há razão para duvidar da demonstração emotiva de Dilma, ela própria vítima da ditadura.
Mas é impossível reprimir a sensação de farsa, quando se considera que José Sarney, um dos responsáveis pelos “pais sem túmulos” e pelos “túmulos sem corpos” estava ali sentado, impávido, ao lado de Fernando Collor de Mello, ambos representantes diletos das oligarquias mais retrógradas do país, herdeiros da UDN e base de sustentação civil do regime implantado em 1964. Se há alguma verdade em toda a encenação montada para dar posse à comissão, ela não se encontra nas declarações de intenção de Dilma, nem na composição da própria comissão, mas sim na galeria dos ex-presidentes que emoldurou a cerimônia.
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