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Artigos e Debates

Um espaço para o contraditório

Por Ari Zenha

As entidades representativas de classe, como os sindicatos, têm perdido espaço há décadas na sociedade civil tanto brasileira como internacional.

"O neoliberalismo, com todo o seu aparato econômico-político e social, ao ser colocado em prática, esfacelou os movimentos populares e entidades representativas de classe"

O neoliberalismo, com todo o seu aparato econômico-político e social, ao ser colocado em prática, esfacelou os movimentos populares e entidades representativas de classe, pois as colocou em uma posição de vulnerabilidade ao utilizar dos seus mecanismos econômicos e políticos de precarização das relações de trabalho e de repressão e/ou cooptação dessas organizações. Isto abriu um enorme espaço para associações de centro-direita e direita, não só no Brasil como em outros países do mundo, ao mesmo tempo em que deixou aqueles movimentos e entidades que detinham alguma representatividade e força política esvaziados e fragilizados.

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Isto é notório quando observamos o comportamento da grande maioria dos sindicatos e, no caso específico, do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais e do Conselho Regional de Economistas de Minas Gerais. Embora estas duas entidades devam ser muito bem separadas no que se refere aos seus objetivos estatutários, ambas sofrem de esvaziamento. O Conselho – CORECON-MG - encontra-se hoje controlado por forças nitidamente conservadoras, enquanto o Sindicato se alinha à esquerda comprometida com a transformação social.

Para sermos realistas, devemos colocar em questão fatos e episódios que devem ser motivos de reflexão pelo Sindicato dos Economistas.

"Que faça, com afinco, propostas condizentes com o ideal Socialista-Democrático-Popular de forma permanente, delineando junto a todos os economistas e organizações progressistas seus anseios e perspectivas transformadoras da realidade"

Acontecimento dos mais relevantes ocorreu no final de 2011, quando as forças conservadoras capitaneadas pelo Conselho e pela Associação dos Economistas tentaram, politicamente, através das eleições, assumir a gestão do Sindicato, tendo sido fragorosamente derrotadas. Isto proporcionou um ânimo muito grande às forças progressistas, o qual, parece, ficou por ai, pois o programa em que se fundou toda a campanha, com o empenho de um número reduzido de economistas, não tem conseguido aglutinar o conjunto desses profissionais, nem ser implementado minimamente. É necessário, e se faz urgente, que o Sindicato dos Economistas assuma de forma contundente posicionamentos sobre as questões econômicas e políticas evidentes em nível Federal, Estadual e Municipal. É imperioso que o Sindicato manifeste uma posição pró-ativa frente à realidade nacional e mundial. Que faça, com afinco, propostas condizentes com o ideal Socialista-Democrático-Popular de forma permanente, delineando junto a todos os economistas e organizações progressistas seus anseios e perspectivas transformadoras da realidade. 

 

 


 

Ari de Oliveira Zenha é economista

Comentários   

 
0 #1 Francisco Magalhães 06-09-2012 18:13
:oops: Zenha, no passado quando pensávamos que havia unanimidade de bravos líderes, era ufanismo e secura de mais por mudanças; muitos estudiosos do comunismo, mas alguns dignos de heroísmo. Alcança-se o poder! E sedentos, saboream do cardápio aristocrático até empanturrar-se; resfolengantes dão às costas a seus defendidos na orfandade; mudam de costumes e discurso. Mas os hérois insurgentes persistem numa luta inglória. Tenho asno desses ex-colegas e veneração aos honrados representantes dos infortunados. Algumas lustrosas agremiações tentam se suster através do 'escambo' tácito.
A pátria amada, olha o epitáfio : 'Aqui jaz um sindicalismo".
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